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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cuide do seu coração



 


Dizia Tolstoi que no coração do ser humano reside o princípio e o fim de tudo. É o coração que sofre todas as alegrias e tristezas; as emoções que sentimos sejam elas boas ou ruins. Principal órgão do corpo humano, enquanto o nosso coração bate indica que estamos vivos. Daí a importância de cuidarmos dele com muito carinho. 

Trabalhando junto com o cérebro, o coração já nasce acelerado e acelera ainda mais enquanto vamos crescendo e amadurecendo. Matematicamente o coração bate 70 vezes por minuto, que resulta em 4.200 vezes batimentos por hora, 100.800 por dia. Multiplique isso por uma vida e o resultado será  incontável.

Se nossos órgãos fossem enumerados, poderíamos dizer que o coração tem o número 13 - sorte e azar. Ele pode nos submeter a surpresas que vão desde as paixões até uma inevitável paradinha graças a um infarto. Sorte se ele voltar a funcionar. Azar daqueles que têm um coração mole; sofre mais, chora à toa. Sorte de quem têm um duro coração, nunca padece e até parece mais forte para a morte, porque consegue atrasá-la dando tempo para a vida.

Dizem que um coração muito feliz se torna pequeno, porque parece que a felicidade é tão grande que não cabe mais no peito. Isso acontece quando estamos apaixonados, temos sorte na loteria ou conseguimos conquistar um sonho muito sonhado. Mas também se torna pequeno quando sentimos saudade. Se as lágrimas são efeito da sensibilidade do coração, infeliz de quem não é capaz de derramá-las...

Há aqueles que tem um grande coração, onde cabe generosidade e amor sem limites. Estes são capazes de deixar a porta do coração aberta para acolher a todos que encontrar. Mas às vezes, conforme diz a música:


" pela porta aberta de um coração descuidado
pode entrar um amor na hora incerta que nunca deveria ter entrado.
E pode tomar conta da casa, fazer o que bem quiser e sair.
E ao sair pode bater a porta que nunca mais pode se abrir "... 


Coração espremido é aquele que está engalfinhado em arame farpado; é a sensação que tem um coração que acabou de ser dilacerado e que sangra a cada farpa retirada. É nisso que dá confiar o coração a outrem. É dever de cada um cuidar do que é seu, não tem outra regra e nem qualquer exceção. Não entregue seu coração a ninguém. Por mais cautelosos que sejamos com o que é alheio, nem sempre há tanta diligência no cuidado com o que é do próximo...


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Amigo de verdade





Você pode ter um milhão de amigos, mas um amigo ou amiga de verdade tem algo muito especial. Amigo de verdade pode até morar longe mas está sempre perto de você, seja através de um telefonema ou de um email sem nenhum propósito, apenas para desejar que você tenha um "Bom dia". Amigo que é amigo de verdade não precisa de um pretexto para estar contigo.

Amigo de verdade não tem hora e está disponível em todas as horas – duas, três, quatro da manhã. E não é só para os momentos bons, mas para todos os momentos.  Amigo de verdade não quer saber se você é rico, o que tem e nem se você é bonito ou feio, pois amizade verdadeira não depende de nada disso. Ele se preocupa com você e com sua saúde, mas principalmente com a sua felicidade.

Amigo que é verdadeiro não te enche de elogios, mas diz sempre a verdade. Ele não fala de você; fala com você. Põe defeito, te dá bronca e logo em seguida pede desculpas. Não deixa que você use aquela roupa ridícula e fala na sua cara o que você pode melhorar.  E quando entra na sua casa, se estiver uma bagunça propõe a te ajudar para colocar tudo em ordem. Depois de uma festa sempre ajuda a limpar. 

Amigo de verdade pode até perceber que você engordou uns quilinhos a mais, mas não fica o tempo todo te incentivando a fazer dietas e atividade física. Ele te carrega para os rodízios, divide com você uma barra de chocolate e depois propõe combinar uma dieta radical por alguns dias. Até que surge aquela nova receita de bolo com cobertura e ele te convida para experimentar.

Amigo de verdade compartilha com você novas receitas e também conquistas. Ele te convida para ir à casa dele e também no sítio que ele construiu. Não fica só te mostrando fotos dizendo que o sítio é uma beleza e  não inventa desculpas para você não ir dizendo que falta água e não tem conforto, porque entre amigos de verdade não existe esse tipo de frescura.  

Amigo de verdade fica horas na fila do banco com você e vai num show que nem gostaria, só para aproveitar os momentos para estar em sua companhia e depois sair dali mais amigo do que nunca. E topa viajar com você durante dez horas seguidas para um lugar sem nada interessante para fazer, só para praticar a "arte de ser amigo".

Amigo de verdade usa a mesma linguagem que você e cria expressões nerds que provavelmente só vocês dois entendem. E até topa cantar junto uma música brega num karaokê, porque amigo de verdade sempre quer criar uma história com você para terem muito o que relembrar. E para o resto da vida irá caçoar de seus vacilos, porque amigo de verdade considera especiais todos os momentos em que esteve contigo.

Há muito o que falar de um amigo de verdade, mas principalmente saber que um amigo de verdade não se afasta quando você está numa fase ruim e nem tenta te enganar dizendo que tudo vai passar. Ele te convida para um chopp e ouve atentamente tudo o que acontece em sua alma. E nunca se cansa de ouvir de você as mesmas coisas. Amigo de verdade tem paciência para esperar que você volte a ser como era antes, mesmo que isso nunca mais aconteça...


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Bullying? Denuncie.


Bullying é um termo da língua inglesa que significa "valentia" e está relacionada com todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente. Seja feita por uma ou mais pessoas contra alguém, sempre há o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa quando percebe que não há possibilidade de reação para se defender ou quando o agressor pensa que detém maior força ou poder.

Há dois tipos de bullying: o direto é o mais comum entre os agressores masculinos e o indireto, mais comum entre mulheres e crianças. De qualquer forma as pessoas que praticam bullying sempre objetivam provocar o isolamento social da vítima, seja através de ameaças ou agressões violentas. Embora se fale muito em bullying nas escolas e entre adolescentes, na verdade acontece em diversos contextos onde haja interação de pessoas, como em universidades, nas comunidades entre vizinhos, entre colegas de trabalho e até mesmo dentro da família. 

Geralmente as pessoas pouco estruturadas emocionalmente ou que se sentem carentes de atenção e afeto, tendem agredir os outros como uma forma de expressar a carência que sentem. Elas tem sempre como alvo as pessoas mais tímidas, pouco sociáveis e com baixa capacidade de reação. Geralmente escolhem suas vítimas entre aquelas pessoas que se mostram inseguras e indefesas, o que impede que elas possam pedir ajuda. Isso se torna muito evidente no tratamento cruel que alguns dispensam às pessoas mais idosas.

Nas escolas os educadores tentam minimizar o problema criando modos de interação entre alunos e evitando que se usem apelidos pejorativos. Crianças e adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima, correndo o risco de adquirir sérios problemas de relacionamento no futuro. Em casos graves as pessoas submetidas a bullying podem adquirir comportamento agressivo, tanto contra os outros como contra si mesmo, podendo até levar ao suicídio.

Os atos de bullying que ocorrem dentro do estabelecimento de ensino podem ser enquadrados no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviços e são responsáveis por todos os atos que ocorram dentro de seus domínios. Em todos os casos, os atos de bullying ferem os princípios constitucionais - respeito à dignidade da pessoa humana - e o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. Está sendo vítima de bullying? Procure seus direitos na lei.

Entende-se por bullying qualquer forma de agressão:
  • Modo verbal: insultar, ofender, xingar, fazer gozações, colocar apelidos pejorativos, fazer piadas ofensivas. 
  • Ataque físico: bater, chutar, espancar, roubar pertences.
  • Psíquico:  irritar, humilhar, ridicularizar, ameaçar, chantagear, perseguir.
  • Sexual: abusar, violentar, assediar.
  • Virtual: ciberbullying, com uso da internet.
  • Também se inclui todas as formas de insinuações, difamações, boatos cruéis, intrigas, fofocas, ironias, desprezo etc.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa das Copas? O sonho acabou...

 


 
Por quase trinta dias bilhões de pessoas em todo o mundo olharam para o Brasil. Abertura da Copa? Não causou emoção. Um fiasco da FIFA, feito por gente que não entende nada de Brasil. A transmissão da abertura da copa pela televisão mostrou que não existem negros no país. Nas arquibancadas do Itaquerão só se viu branquinhos e perfumados de óculos Ray-ban. Padrão FIFA, longe da realidade brasileira. 
 
Fora dos estádios manifestações convictas sendo abafadas. Disseram que não ia ter Copa, mas as ruas se vestiram de verde e amarelo. Falou mais alto o patriotismo e o amor pelo futebol. A Seleção Canarinho esquentou o nosso coração. Estávamos precisando de alegria e emoção.
 
Outras cores invadiram a cidade: laranjas, azuis, verdes, amarelos, vermelhos, celestes e xadrez também. Quem tinha dúvida, descobriu que todas as cores e raças combinam sim. As seleções mostrando imensa alegria de jogar no Brasil. Torcedores estrangeiros curtindo as belezas do país outrora desconhecidas.
 
Manaus provou ao mundo que tem muito mais que florestas. E agora milhares de estrangeiros sabem que existem belas cidades além do Rio de Janeiro. Que o Brasil tem carnaval, samba, mulher bonita e muita miséria também. Que assaltos fazem parte da rotina. Que "arrastão" não é uma rede para pescar.
 
De repente Brazuca falou todos os idiomas e teve todas as culturas. O que não se entendeu na linguagem, se compreendeu nos gestos. Holandeses trocaram camisas com garis cariocas. Japoneses recolheram o próprio lixo no estádio. Alemães recolheram lixo em Copacabana. Torcedores de Gana deram um "rolezinho" no shopping e ninguém saiu correu pensando que fosse assalto. O preconceito diminuiu.  
 
Turista é gente boa; brasileiro também. Um taxista devolveu os ingressos perdidos por turistas mexicanos. Argentinos e chilenos invadiram o estádio porque não tinham ingresso. A maioria dos brasileiros também não. A verdadeira torcida brasileira ficou fora dos estádios. Preço dos ingressos  irreal para a maioria com renda mensal de 724 reais. Ingresso partida final: quase 2.000 reais. 
 
Estivemos hipnotizados pela "Copa das Copas", mas alguns notaram: os preços subiram. Até os turistas reclamaram. Grandes distâncias entre as cidades-sede e preços elevados impossibilitaram que torcedores estrangeiros permanecessem até o final da copa.     
 
As redes sociais deram uma trégua. Ninguém reclamou do frio ou calor e nem de hospitais do SUS lotados. O muro das lamentações ficou vazio. Por algum tempo mudaram de rumo as preocupações. Por algum tempo fomos felizes. De minha parte, sou grata à seleção. Futebol é caixinha de surpresas. Ora se ganha; ora se perde. Ressaca de dor. Cornetas e vuvuzelas silenciaram. O sonho acabou... 
 
 
Seleção brasileira: Obrigado pelas alegrias que nos trouxeram!

 
 


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Emoções e autocontrole

 Dentro de cada um de nós moram dois "Eus"

Lidar com as emoções, manter autocontrole e saber agir adequadamente a cada momento não é tarefa fácil. Quem nunca fez algo e se arrependeu logo depois? Quantas vezes falamos ou tomamos certas atitudes, que depois pensando bem chegamos à conclusão que não deveríamos ter feito ou falado? Quantas vezes saímos fazendo compras, para depois chegar em casa e constatar a besteira que fizemos comprando algo que nem vamos usar ou que gastamos mais do que devíamos?
A lista de atitudes e comportamentos levianos é imensa. E porque erramos em nossas escolhas? Simples; falta de observação. Ainda que não tenhamos consciência disso, dentro de cada um de nós moram dois "Eus" que não se conhecem muito bem. Quando o nosso "Eu" consciente está em cena, somos mais capazes de pensar com clareza e lógica. Mas quando nos deixamos dominar pela euforia ou pelo medo, o outro "Eu" assume o comando e pode nos levar a fazer grandes besteiras.
A capacidade de pensar, julgar e escolher de forma racional está ligada ao córtex pré-frontal, que é a parte anterior do lobo frontal do cérebro ou testa. Essa região cerebral permite que possamos planejar o que vamos fazer, julgar o que certo ou errado, escolher o que é melhor ou pior, fazer escolhas e prever as consequências e resultados de nossas ações. Provavelmente você já deve percebido que algumas pessoas costumam passar as mãos na testa quando estão raciocinando. 
Já nossas emoções e reações estão relacionadas ao sistema nervoso simpático, que acelera os batimentos cardíacos, dilata os brônquios, causa transpiração, dilata as pupilas, constringe os vasos sanguíneos, aumenta a pressão sanguínea e o peristaltismo do esôfago, diminui a motilidade do intestino grosso e deixam os pelos do corpo arrepiados. As mensagens que chegam ao sistema podem transmitir sensações como frio, calor, raiva, dor e até provocar um ataque cardíaco. 
Toda emoção gera uma carga muito pesada para o corpo. E quando somos tomados pelas emoções, o nosso sistema nervoso simpático e nossa amígdala cerebral tomam a frente e nosso segundo “Eu” passa a comandar nossas ações. Entra em cena uma enxurrada de hormônios. 
Nosso córtex pré-frontal se fecha e nos tornamos míopes para o bom senso reagindo de forma instintiva e primitiva. A fisiologia nos mobiliza para atacar ou fugir. Isso é positivo quando estamos numa situação de risco, mas quando é preciso pensar e analisar as situações se torna um problema.
Quando perdemos a capacidade de reflexão, que a maioria nem percebe, ficamos a mercê de comportamentos tolos. Depois nem sabemos explicar o porquê. Quando os hormônios do estresse cessam de circular pelo seu corpo, retorna a nossa capacidade de raciocinar. Em vez de assumir a responsabilidade pelo que fazem, muitos costumam querer justificar o comportamento leviano, ou seja, perdem a oportunidade de aprender com os próprios erros.
No entanto, podemos estar a salvo disso se estivermos atentos às nossas emoções. Ao percebermos que elas começam a nos dominar, deixando os nossos batimentos cardíacos mais acelerados, nossa respiração tensa e começarmos a sentir tensão no maxilar, esse é o sinal para não permitirmos que o nosso juízo se perca. A princípio pode parecer difícil, mas com treino se torna fácil.
  • Respire fundo.
  • Inspire pelo nariz contando até 3.
  • Depois expire devagar e conte até 6.

E toda vez que você sentir que a ansiedade está chegando, comece a aquietar o seu corpo tenso. Assim terá mais controle de si e saberá se comportar em cada momento. Escolhas conscientes estão relacionadas à capacidade de raciocinar. Não deixe que seu cérebro se torne uma criatura sem comando, porque o cérebro tende a escolher o caminho mais fácil, que nem sempre é o melhor.
Outro fato é que um cérebro sobrecarregado de informações e preocupações nem sempre funciona adequadamente. Por isso é importante anotar o que é necessário recordar e fazer, deixando a mente livre para pensar. Distrair, rir, divertir, descansar e ter boas horas de sono também ajudam, mas principalmente respirar e alimentar bem. O cérebro vive a base de glicose e oxigênio; comer carboidratos ajudam no processo. Ter autocontrole não é fácil; é preciso treino e prática constante. Agir por emoção por ser lindo no cinema, mas na vida real nem sempre traz bons resultados...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Dependência emocional



A educação na infância tem papel fundamental na constituição de adultos seguros, confiantes e emocionalmente independentes. É na infância que somos preparados para vivermos livres e termos a opção de escolher com quem vamos compartilhar nossa vida.

A maneira como fomos criados na infância é fundamental para que possamos nos desenvolver psicologicamente saudáveis. Pais que demonstram amor e confiança nos filhos contribuem para que eles se tornem adultos com uma boa autoestima, seguros de si e pouco dependentes da aprovação dos outros.



Pais negligentes ou exigentes

Tanto a falta de demonstração de amor como a superproteção exagerada são igualmente negativas. A criança que não sente que é amada, pode se tornar insegura em relação ao amor dos outros, pois cresce com a crença que não será amada nas relações futuras no decorrer de sua vida. A criança precisa se sentir valorizada e amada para acreditar em si mesma e na sua capacidade de se nutrir principalmente emocionalmente. Só assim se torna uma adulta completa e não espera encontrar sua "alma gêmea", alguém que venha completa-la.

Ela aprende a caminhar com suas próprias pernas e acredita ser capaz de fazer qualquer coisa sozinha. Ela adquire segurança para seguir sua vida fazendo suas próprias escolhas e assumir as devidas consequências. É fato que os pais amam seus filhos, mas muitas vezes com a intenção de acertar, supervalorizam o que eles fazem de errado e muitas vezes desprezam as vitórias e as conquistas obtidas pelos filhos. Existem pais que culpam, desprezam, humilham e que não respeitam os sentimentos de seus filhos.

No contato com outros adultos, como os avós, parentes mais íntimos, professores e cuidadores, as crianças também sofrem pelo que eles dizem e que fica gravado na mente. Quando uma criança cresce sentindo que não é digna de ser admirada, amada e querida, ela passa a omitir seus sentimentos e não considerá-los importantes.  Por se sentir assim, torna-se um adulto emocionalmente dependente do amor de outra pessoa. Daí sente uma desesperada necessidade de se sentir amada, querida, aprovada, admirada e importante, já que não viveu isso em sua infância.

Pais superprotetores

Também se torna um adulto dependente de amor a criança que é excessivamente protegida e mimada na infância. É muito comum encontrar pais que excedem na atenção dedicada ao filho e satisfazem todas as suas vontades, muitas vezes como uma forma de compensar sua frequente ausência no papel de pai ou mãe.

Muitos protegem demais pelo medo de que o filho cresça e os deixem sozinhos. Assim induzem o filho a acreditar que só debaixo de suas asas estará seguro.  Existem pais que se tornam tão permissivos com os filhos, que mesmo depois que eles crescem continuam pagando todas as contas do filho, cedem coisas materiais sem limites e não incentivam o filho a trabalhar para ganhar seu próprio sustento.

É dever dos pais cuidar dos filhos, mas desde cedo estimula-los a adquirir autonomia e autoconfiança. Filhos que não precisam fazer muito esforço para conquistar as coisas por si mesmos, acabam sendo levados a um mundo de fantasias que na realidade não existe. E podem sentir  dificuldade de serem independentes, porque foram acostumados a ter seus pais suprindo todas as suas necessidades.




Amor ou dependência emocional?

É verdade que no mundo ninguém pode viver sozinho e isolado de todos. Sempre precisaremos de alguma proteção, de apoio e da ajuda de outras pessoas. Mas existem pessoas adultas que se tornam dependentes dos outros para tudo. Elas são constantemente afligidas pela dúvida, pela indecisão e precisam dos outros como alguém que venham salva-las de situações e impedir frustrações. São pessoas que sofrem de dependência emocional e acabam se envolvendo em relações sofridas e destrutivas.

Por se sentirem incapazes de cuidar de si mesmas, sentem-se desamparadas e inseguras quando estão sozinhas. Esse é um passo para se tornarem submissas, inseguras e terem uma percepção muito frágil de si mesmas. Ao demonstrarem ações e sentimentos de fragilidade e carência, essas pessoas não percebem como isso afeta os seus relacionamentos, sejam relações amorosas quanto relacionamentos entre amigos, colegas de trabalho e no convívio em geral com outras pessoas.

Isso se torna mais grave, quando uma pessoa dependente muitas vezes aceita qualquer tipo de relacionamento e se entrega como se fosse um objeto para seu parceiro/parceira. Ela não acredita em seu próprio valor, no seu poder de fazer escolhas e na sua capacidade de conquistar alguém. Sente medo de se aproximar dos outros e de ser rejeitada. Por isso não seleciona com quem quer estar, mas costuma ficar com a primeira pessoa que demonstra um mínimo interesse. Muitas vezes aceita relações destrutivas como um prêmio de recompensa.

Em muitos relacionamentos é comum encontrar pessoas que pensam que amam e nem percebem que, na verdade, são dependentes do amor e do outro. A pessoa estrutura a sua vida em torno da vida do parceiro ou da parceira e não consegue imaginar sua própria existência sozinha. Sua dependência emocional se assemelha com as pessoas que são dependentes de álcool, drogas, sexo ou compulsão alimentar.

Por medo de ser abandonada, muitas vezes a pessoa tolera abusos sexuais, verbais, físicos, entre outros. E quando encontra alguém que percebe sua fragilidade, acaba se tornando um ser humano sem vontade própria; como se fosse um marionete que pode ser manipulado para qualquer direção. A pessoa anula-se de tal forma que perde sua identidade e acaba exigindo que o outro tenha o mesmo empenho e na mesma proporção. E quando não recebe esse retorno afetivo, revolta-se pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de odiar tanto aos outros quanto a si mesma porque fica com o sentimento: "Eu dei tudo de mim"...

Também sente dificuldade em expressar seus sentimentos por medo de se sentir vulnerável. E quando o relacionamento chega ao fim, a pessoa dependente tende a procurar desesperadamente outra para dar início a um novo ciclo para suprir sua carência e seu sentimento de abandono. O fato é que muitos adultos não amadurecem e permanecem como se fossem crianças por toda a vida. Elas não percebem que o ser humano se torna afetivamente maduro no momento em que está junto de outra pessoa porque ama e não porque necessita do outro. Não apenas recebe, mas abastece sua relação em trocas. Esse é um amor verdadeiro.

Transtorno da Personalidade Dependente

O Transtorno da Personalidade Dependente é um padrão de comportamento submisso e aderente, relacionado a uma necessidade excessiva de proteção e cuidados. A pessoa tem dificuldade em tomar decisões sozinha, fato que a leva a uma excessiva necessidade em pedir opiniões alheias para resolver situações da vida cotidiana. Chega até mesmo a apresentar o seu problema e esperar que os outros tragam soluções prontas, sem que seja necessária sua participação.

Às vezes tende a responsabilizar outras pessoas por suas ações, podendo culpar seus pais e outros pelo seu modo de ser.  São pessoas que apresentam baixa autoestima, se autodepreciam e magoam-se facilmente com as opiniões alheias. Por necessitar de constante aprovação, aceitação e reconhecimento dos outros para lidar com as situações da vida, evita discordar dos outros porque tem medo de perder o apoio dos outros.

É uma pessoa que não acredita ser capaz de viver e fazer qualquer coisa sozinha, precisando de constante supervisão para realizar as coisas. Isso acontece porque precisa que alguém lhe dê garantia de que as coisas vão dar certo. Por isso não consegue iniciar projetos ou fazer coisas de forma independente. Sente-se incapaz de agir adequadamente sem o auxílio de outras pessoas e recorre frequentemente aos outros para ser orientada, ajudada e direcionada, sendo que tudo isto surge da necessidade de satisfazer suas necessidades internas e não pelo desejo de estar na companhia da outra pessoa.



Superação da dependência emocional 

Não importa a infância que você teve; importa é o que você pode se tornar agora. Não adianta culpar os outros; as soluções de nossos problemas moram dentro de nós mesmos. O processo de autoconhecimento é o primeiro passo para reduzir ou superar a dependência emocional, que pode ser feito junto com um psicólogo. A psicoterapia é eficaz porque auxilia a pessoa a expressar seus sentimentos e suas necessidades de forma mais adequada. Mas também pode ocorrer através da mudança das próprias atitudes perante a vida.

O mais importante nesse processo é fortalecer sua autoestima. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, aprendem a cuidar de suas próprias feridas emocionais. E quando nos amamos, procuramos pessoas que nos valorizem e respeitam pelo que somos. Outro passo importante é buscar ser mais independente, manter-se com seu próprio esforço e assim ter mais segurança em suas próprias decisões.

Recupere um espaço pessoal ou profissional sobre o qual tenha poder de administração. Reflita sobre as coisas prazerosas que deixou de fazer para se dedicar ao relacionamento. Reúna-se com seus amigos e permita que o outro também esteja com os amigos dele. Isso permite trocar ideias com outras pessoas. Quando fazemos coisas que gostamos e permitimos que o parceiro/parceira também faça algo que goste, cria-se uma relação mais saudável e comprometida.

Também diga o que pensa e procure conhecer o pensamento do outro. Através das diferenças também se constrói e consolida um relacionamento. Interromper o ciclo de dependência emocional significa assumir responsabilidade por si, tomar conta da própria vida e assim estar disponível para amar verdadeiramente. Aprove-se mais, aplauda suas conquistas e dependa especialmente de você!


terça-feira, 18 de março de 2014

Imaturidade



É próprio do ser humano nascer, crescer e envelhecer. E à medida que cresce a pessoa vai formando sua personalidade, que é a soma dos padrões de seus potenciais e conduta determinados por sua herança genética, pelo ambiente onde vive e pelas experiências de vida. Essa é a marca que distingue as pessoas, que é moldada pelo comportamento diante das situações da vida.
Nesse movimento dinâmico a pessoa adquire maturidade, enquanto aprende e descobre mais a respeito de si mesma. Faz parte da maturidade ter responsabilidade, que vem do latim "respondere" e significa responder e comprometer com a realidade. Estar na realidade é ter consciência das próprias circunstâncias imediatas – o aqui e o agora - que irá moldar o futuro.
Sabemos que não podemos viver no improviso, que é preciso no mínimo uma certa organização e um esquema para o futuro, que inclui temas como amor, trabalho e cultura. Daí surgem os nossos projetos de vida: estudar, adquirir conhecimento, amar, casar, ter filhos, trabalhar para se sustentar e adquirir patrimônio, não necessariamente nessa ordem.
O conhecimento dessas realidades é como uma carta de navegação que ajuda a guiar-nos para uma vida adequada, em harmonia com os outros e com nós mesmos. Porém há pessoas que tem dificuldade em amadurecer. São pessoas que demonstram uma defasagem entre a sua idade cronológica e sua idade mental, que desconhecem a si mesmas, não reconhecem suas limitações e agem com pouca ou nenhuma responsabilidade. E quem nunca se deparou com alguém assim???
O que se nota é que a pessoa imatura não assume nenhum projeto de vida com seriedade e não se compromete. É a pessoa que vive em desarmonia consigo mesma. Devido à sua imaturidade, seus sentimentos são como um pêndulo que vai de um ponto a outro rapidamente. Com essa variação de sentimentos e oscilações de ânimo e humor, ninguém nunca sabe o que pode esperar dela.
Uma de suas características é a incapacidade de estabelecer relações afetivas satisfatórias. Ela apaixona e desapaixona com muita facilidade, porque não tem paciência para construir um relacionamento a cada dia. E isso acarreta outras consequências. Devido à sua tendência a refugiar-se num mundo fantástico para escapar da realidade, ela tem baixa tolerância às frustrações, não renuncia a nada e é incapaz de superar as adversidades.
Também tem pouca educação da vontade e não está disposta à luta constante. Pode até iniciar um projeto, mas desfaz sua intenção diante das primeiras dificuldades e abandona tudo para dar início a uma nova empreitada. Nisso está incluído seu emprego, relacionamentos e outros projetos. E se não abandona, costuma estabelecer relacionamentos duplos e tem pouco comprometimento com seus deveres e obrigações. 
  
Ela é a imagem da criança mimada, paparicada e malcriada, que só se entrega ao prazer de um momento. Nunca superará as suas próprias possibilidades, porque não está direcionada para as exigências sérias da vida e só deseja seguir seus impulsos imediatos. Por isso é volúvel, inconstante, frívola, superficial nos assuntos e leviana com tudo e com todos. Falta-lhe sobretudo inteligência. 
Uma pessoa inteligente sabe focar num assunto, raciocinar e fazer juízos adequados sobre a realidade. Dessa forma torna-se capaz de formular um conjunto de soluções exequíveis e positivas para problemas concretos. Na linguagem mais moderna da psicologia cognitiva: inteligência é saber receber a informação, codifica-la e ordená-la corretamente a fim de oferecer respostas válidas, coerentes e eficazes.
Para a pessoa imatura, falta visão e planejamento do futuro. Por valorizar apenas o presente, não consegue medir as consequências de seus atos, tem sérias dificuldades em racionalizar os fatos e não é justa em suas análises. Além de sua incapacidade de propor-se a objetivos concretos, ela não tem moral suficiente. Seus critérios morais e éticos são instáveis e não se preocupa em viver com dignidade. Não sabe usar corretamente a liberdade e o relativismo pauta sua vida.
Com sua extrema permissividade, falta-lhe espírito crítico. É o tipo de pessoa que segue o vaivém da moda, das novidades e das suas próprias verdades, que cria apenas para atender aos seus desejos e justificar sua leviandade. Ter qualquer relacionamento com pessoas imaturas, seja profissional, social ou afetivo, é no mínimo perigoso. Se compararmos a vida como uma viagem, podemos dizer que essas pessoas imaturas embarcaram apenas para viver como se a vida fosse um passeio: não sabem de onde estão vindo e nem onde querem chegar, podendo levar junto quem com elas tiver o azar de estar...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sindrome de Otelo: Não se deixe dominar pelo ciúme



Ter ciúme, causado pelo medo da perda de quem ama, até certo ponto pode ser considerado normal. Anormal é quando se torna um sentimento angustiante, uma doença capaz de gerar perturbações em si a aos outros. Quem sofre do Transtorno Delirante Paranoico do tipo ciumento, tem convicção, sem motivo justo ou evidente, de que está sendo traído pelo cônjuge ou parceiro.

Esse tipo de ciúme se enquadra na Síndrome de Otelo, cujo nome remete a uma obra "Otelo - o Mouro de Veneza" escrita por William Shakespeare em 1603. Uma das particularidades de seus textos são as minuciosas descrições das paixões humanas e da loucura que muitas vezes as acompanha. O dramaturgo inglês apreciava personagens extremados, com representações de violência e cenas de morte.

Veneza foi na antiguidade uma grande república italiana, que enviava mercadorias de luxo para muitas nações e dominava muitas outras cidades. Possantes navios cruzavam os mares levando e trazendo riquezas incalculáveis. Esse é o cenário usado por Shakespeare para contar a chegada Otelo em Veneza, um mouro grande e forte proveniente da África, que tornou-se general graças à sua coragem, talento, cultura e elevada eloquência.
 
E foi devido a essas qualidades que Otelo conquistou o coração da bela Desdêmona, uma das mais formosas donzelas de Veneza e filha de um nobre. Ela adorava ouvir Otelo contar as histórias de batalhas travadas e vencidas, com sua voz cálida e forte que mexia com seu coração e sentidos. Deixando para trás outros pretendentes mais jovens e mais belos, Desdêmona fugiu com Otelo e casou com ele em segredo em Chipre.

Um dos oficiais de Otelo era o Tenente Cassio, que tinha um temperamento franco, honesto e confiante. Outro era o invejoso sub-oficial Iago, que vivia ressentido por sua posição menor mas não demonstrava seus sentimentos. Capaz de todas as perfídias, com a intenção de prejudicar seu superior hierárquico, Iago instigou o ciúme em Otelo fazendo-o acreditar, através de maldosas insinuações, que sua mulher o traia com o jovem Tenente Cássio. No entanto seu plano toma um rumo inesperado: Otelo mata sua mulher e suicida-se em seguida.


O que teria levado Otelo à trágica decisão? 


Otelo foi dominado por pressupostos que levam à suspeita. Tolo e ingênuo, apoiou sua decisão nas insinuações mentirosas de Iago, mas também em enganosas evidências. Isso inclui um lenço misteriosamente encontrado nos aposentos de Cássio que causa um mal entendido. Enquanto o Tenente fala de uma discussão com sua amante, que na verdade era Bianca, Otelo entende que ele estaria falando de Desdêmona. Julga que as mãos úmidas de sua mulher seria um indício revelador de infidelidade, quando na verdade ela estaria apenas ansiosa. Otelo errou por supervalorizar sua capacidade de discernimento. 

Por conter temas que continuam atuais, como racismo, amor, ciúme e traição, o texto continua sendo estudado para entender os aspectos psíquicos do ser humano. Nota-se que Shakespeare estava bem informado sobre as crenças da época e buscou desenvolver em sua obra uma abordagem da loucura, entendida como a incapacidade de perceber e interpretar as próprias emoções ou paixões. É por isso que os psiquiatras utilizaram um de seus personagens para designar o distúrbio comportamental chamado Síndrome de Otelo.



Hoje sabemos que as emoções extremadas podem ser acompanhadas de perturbações psicológicas. Mais do que as mulheres, os homens são mais sensíveis à simples ideia de infidelidade, que faz aumentar a pressão sanguínea e atuar sobre o sistema nervoso. O termo Síndrome de Otelo foi sugerido para designar uma complexa rede de pensamentos e emoções irracionais, muitas vezes associado a comportamentos exagerados e violentos, derivados da exacerbada preocupação com a suposta infidelidade do parceiro, baseada em provas inconsistentes e por vezes imaginárias.

O ciúme mórbido é uma entidade que ri da realidade. Inúmeras expressões foram utilizadas para designar as formas patológicas de ciúme e interessantes são os seus mecanismos: O Ciúme Delirante tem um teor paranoico e injustificado. O Ciúme Projetado está relacionado à tendência em ser infiel e vê essa tendência na outra pessoa. O Ciúme Concorrencial contém uma certa dose de homossexualidade.

Na maior parte das vezes, as pessoas ciumentas possuem grande imaturidade em suas relações e podem ter comportamentos agressivos. O desejo de controlar a fidelidade da outra pessoa costuma ser tão extremado, que pode levar a seguir e se esconder para surpreende-la em flagrante, além de vasculhar metodicamente em seus pertences, checar contas de telefone, ler emails particulares, cheirar suas roupas etc.

Qualquer palavra tende a ser interpretada como revelação de infidelidade. E para exercer maior controle, implica e tenta afastar a outra pessoa dos amigos e parentes. Se esse problema perdura pode ocasionar um fim trágico, pois quem sente ciúme doentio resiste a qualquer argumentação e ignora qualquer prova de inocência. Sua paranoia torna-se numa procura obsessiva pelas provas da infidelidade.

Os sentimentos de posse e exclusividade em relação ao outro também podem estar relacionados ao modelo familiar que a pessoa teve. A pessoa que na infância teve a atenção dos pais focalizadas nela, terá dificuldades para se relacionar e tenderá a viver em função de outra pessoa. Por isso pode exigir exclusividade de atenção e sentirá ciúmes de qualquer pessoa que aproxime de quem ama.

Um dos meios para diminuir o ciúme extremado é ampliar o convívio social com outras pessoas, porque assim aprende a dividir a atenção de quem ama com outras pessoas e compreende o quanto sofre alguém acusado injustamente de infidelidade. Também é preciso recuperar a autoestima e confiar mais em si, reconhecendo suas virtudes e qualidades. Em alguns casos, um tratamento psicoterápico torna-se necessário.

Quem se envolve com um ciumento patológico vive em constante ameaça, o que torna o relacionamento desgastante e penoso. Muitas vezes a pessoa lamenta não tanto a infidelidade, mas a destruição da imagem idealizada que mantinha da outra pessoa. Além disso, entra em ação um ego frágil que tenta lutar contra qualquer ameaça à autoestima. Um refrão muito conhecido nesses casos é a legítima defesa da honra.

O próprio Shakespeare nos põe de sobreaviso contra uma leitura demasiado benevolente do personagem, através do diálogo de Iago: “ Nosso corpo é nosso jardim e nossa vontade é o jardineiro. Se a balança da vida não tivesse o prato da razão como contrapeso para o da sensualidade, nosso temperamento e a baixeza de nossos instintos nos levariam às mais desastrosas consequências. Mas nós temos a razão, para arrefecer nossas paixões furiosas, nossos impulsos e nossos desejos desenfreados”...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A vida sempre conspira a nosso favor


A vida sempre conspira a nosso favor e tende a nos levar pelo caminho onde mantemos o nosso foco. Quando direcionamos nossa atenção para um ponto e colocamos ali nossas energias, a vida entende que é naquele ponto que queremos chegar e se encarrega de nos levar até lá. A vida costuma seguir o que pensamos, o que dizemos e o que sentimos. Por isso é importante definirmos o que queremos em nossa vida, acreditar que somos capazes, direcionar nossos esforços para atingir os nossos objetivos e não permitir que coisas de pouca importância nos tire o foco.

Há caminhos que tentam nos seduzir mostrando-nos muitas facilidades e exigem pouco esforço. Esse é o caminho ilusório, que não mostra as dificuldades de início e pode nos levar a lugares aonde não desejávamos estar. É fácil cair na tentação de seguir pelo caminho das facilidades e ilusões. Esse é o caminho  das negociatas, das trapaças,  da  fraude, da mentira, da negligência, dos vícios, da acomodação às situações que já não fazem mais sentido ou adaptação às situações por conveniência.

Também existem caminhos que a princípio parecem difíceis e exigem mais esforço para trilha-lo. Porém, ao contrário do anterior, conseguimos ver de forma clara e nítida aonde iremos chegar. É o caminho da lucidez a respeito das coisas. Algumas vezes precisamos ajustar a nossa direção, nos adequando aos nossos recursos e condições, mas ainda assim é possível realizar o que sonhamos.

Quem sabe o que quer não se detém diante das dificuldades e nem espera que a vida venha decidir. Age sem medos, sem mágoas, tem fé e coragem para seguir o caminho escolhido. Quando somos fieis aos nossos sonhos e acreditamos em nosso poder de realização, nada consegue nos deter. A vida carrega em si uma poderosa magia que se soma à nossa força e poder, fazendo com que possamos atrair o que desejamos no fundo de nossa alma...


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Escrita terapêutica




Todos nós criamos expectativas sobre a vida e podemos até tolerar algumas frustrações. Porém há um limite, que é muito pessoal; uns sabem lidar com as dificuldades sem traumas, outros guardam e ficam remoendo suas dores. E, se não conseguimos extravassar os sentimentos que nos fazem sofrer, a tristeza e a angústia se tornam evidentes e podem até provocar doenças.

As dores emocionais tendem a interferir no desenvolvimento das nossas atividades sociais e profissionais. E, quando elas vão se acumulando, o corpo reage dando sinais de que já extrapolamos o limite tolerável e responde tentando eliminar a dor. Ninguém ignora que o nosso corpo é um ser inteligente que tenta proteger nossa existência. Para isso os órgãos do corpo mantém uma ampla rede de comunicação entre si.

Tudo que ingerimos, pensamos e sentimos podem servir como alimento ou veneno para o corpo. Fácil é adotar uma dieta saudável; difícil é controlar os nossos pensamentos e sentimentos, mas não impossível. É necessário que façamos algo a respeito para tentar identificar o que nos incomoda. Falar a respeito disso é um bom começo. Muitas vezes o que precisamos é apenas exteriorizar o que acontece em nosso interior, mas nem sempre isso é possível.

Por mais que tenhamos um amigo confidente, há uma coisa ou outra que não contamos por vergonha, receio de não sermos compreendidos ou pior ainda, de sermos julgados. Essa é a razão que leva muitas pessoas a fazer terapia, pois precisam conversar sobre suas dúvidas e incômodos com alguém que não seja tão íntimo e que esteja disponível para ouvir e ajudar no que for possível.

O problema é que nem todos podem pagar uma consulta com um terapeuta. Além do mais, nenhum terapeuta faz milagres e nem pode nos dizer o que fazer. Ele pode nos ajudar a identificar a causa dos nossos problemas, mas o resto é por nossa conta. As respostas que buscamos sempre estão dentro de nós mesmos. Inclusive, muitos psico-terapeutas sugerem que os seus pacientes escrevam um diário para ajudar a se libertarem de tudo que carregam dentro de si. 

Muita gente ignora, mas escrever um diário pode funcionar como uma terapia. Ao escrevermos sobre as nossas angústias, medos, fracassos, frustrações e tristezas, podemos nos sentir aliviados, como se tivéssemos tomado um banho de mar que leva tudo embora. De repente, todas aquelas coisas que estavam nos afligindo desaparecem ou, pelo menos, são atenuadas.

Fazendo da escrita uma rotina as coisas tendem a melhorar, porque nos permite identificar a causa dos nossos problemas. E funciona como um processo terapêutico, porque além de servir como uma forma de desabafo, nos ajuda a organizar as ideias, sensações, sentimentos, assim como nos possibilita olhar melhor para uma situação e ter uma visão mais ampla. Tempos depois quando relermos o nosso diário, temos a oportunidade de encontrarmos a nós mesmos, o que pode trazer autoconhecimento.

Quando estamos escrevendo, acontece uma introspecção e somos mais capazes de expressar detalhes que costumam passar despercebidos, pois nosso pensamento se dá de forma automática. Muitas informações e dados importantes para a análise e a compreensão dos fatos podem se perder devido à correria do dia-a-dia. Ao registrarmos num diário o que pensamos e sentimos a cada dia, também podemos relembrar situações antigas e reconstruí-las. Isso nos permite reinventar, criar novos desfechos e refazer as situações passadas de maneira distinta.

Não importa que sejam pequenos acontecimentos do dia-a-dia; importante é registrar nossas visões, reflexões e sentimentos perante aos fatos, sempre usando os termos na primeira pessoa: eu sinto, eu penso etc. Alguns diários íntimos tornaram-se documentos históricos, por exemplo, "O Diário de Anne Frank". Publicado originalmente em 1947, foi lido por milhares de pessoas em todo o mundo, que se emocionaram com sua visão e sentimentos de adolescente diante da guerra. No diário Anne registrava tudo que acontecia, suas alegrias, tristezas, raivas e a esperança de liberdade.

Não importa a idade, seja uma criança, jovem, adulto ou idoso, o diário terapêutico geralmente funciona para a maioria das pessoas. Pode-se usar um diário comprado em livrarias, uma agenda, um caderno, registrar numa pasta não compartilhada no computador, num CD ou Ipod e outros meios. Há sites que oferecem uma página supostamente confidencial e algumas pessoas costumam criar blogs, porém não é muito conveniente. Além de correr o risco de perder as anotações por problemas técnicos, quando se quer registrar assuntos muito íntimos, a auto-censura pode impedir a espontaneidade. 

Para que possa surtir o efeito desejado é preciso que digamos a verdade, escrevendo tudo o que pensamos e sentimos. A escrita terapêutica é uma invenção criativa que podemos fazer das pessoas e dos mundos que nos cercam. E, por estarmos falando com nós mesmos, não precisamos mentir e nem omitir. No máximo só Deus poderá nos ouvir, já que Ele habita no coração de todos nós...

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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