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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sindrome de Otelo

 
 

Ter ciúme, causado pelo medo da perda de quem ama, até certo ponto pode ser considerado normal. Anormal é quando se torna um sentimento angustiante, uma doença capaz de gerar perturbações em si a aos outros. Quem sofre do Transtorno Delirante Paranoico do tipo ciumento, tem convicção, sem motivo justo ou evidente, de que está sendo traído pelo cônjuge ou parceiro.
 
Esse tipo de ciúme se enquadra na Síndrome de Otelo, cujo nome remete a uma obra "Otelo - o Mouro de Veneza" escrita por William Shakespeare em 1603. Uma das particularidades de seus textos são as minuciosas descrições das paixões humanas e da loucura que muitas vezes as acompanha. O dramaturgo inglês apreciava personagens extremados, com representações de violência e cenas de morte.
 
Veneza foi na antiguidade uma grande república italiana, que enviava mercadorias de luxo para muitas nações e dominava muitas outras cidades. Possantes navios cruzavam os mares levando e trazendo riquezas incalculáveis. Esse é o cenário usado por Shakespeare para contar a chegada Otelo em Veneza, um mouro grande e forte proveniente da África, que tornou-se general graças à sua coragem, talento, cultura e elevada eloquência.  
 
E foi devido a essas qualidades que Otelo conquistou o coração da bela Desdêmona, uma das mais formosas donzelas de Veneza e filha de um nobre. Ela adorava ouvir Otelo contar as histórias de batalhas travadas e vencidas, com sua voz cálida e forte que mexia com seu coração e sentidos. Deixando para trás outros pretendentes mais jovens e mais belos, Desdêmona fugiu com Otelo e casou com ele em segredo em Chipre.
 
Um dos oficiais de Otelo era o Tenente Cassio, que tinha um temperamento franco, honesto e confiante. Outro era o invejoso sub-oficial Iago, que vivia ressentido por sua posição menor mas não demonstrava seus sentimentos. Capaz de todas as perfídias, com a intenção de prejudicar seu superior hierárquico, Iago instigou o ciúme em Otelo fazendo-o acreditar, através de maldosas insinuações, que sua mulher o traia com o jovem Tenente Cássio. No entanto seu plano toma um rumo inesperado: Otelo mata sua mulher e suicida-se em seguida. O que teria levado Otelo à trágica decisão?
 
Otelo foi dominado por pressupostos que levam à suspeita. Tolo e ingênuo, apoiou sua decisão nas insinuações mentirosas de Iago, mas também em enganosas evidências. Isso inclui um lenço misteriosamente encontrado nos aposentos de Cássio que causa um mal entendido. Enquanto o Tenente fala de uma discussão com sua amante, que na verdade era Bianca, Otelo entende que ele estaria falando de Desdêmona. Julga que as mãos úmidas de sua mulher seria um indício revelador de infidelidade, quando na verdade ela estaria apenas ansiosa. Otelo errou por supervalorizar sua capacidade de discernimento. 
 
Por conter temas que continuam atuais, como racismo, amor, ciúme e traição, o texto continua sendo estudado para entender os aspectos psíquicos do ser humano. Nota-se que Shakespeare estava bem informado sobre as crenças da época e buscou desenvolver em sua obra uma abordagem da loucura, entendida como a incapacidade de perceber e interpretar as próprias emoções ou paixões. É por isso que os psiquiatras utilizaram um de seus personagens para designar o distúrbio comportamental chamado Síndrome de Otelo.
 
Hoje sabemos que as emoções extremadas podem ser acompanhadas de perturbações psicológicas. Mais do que as mulheres, os homens são mais sensíveis à simples ideia de infidelidade, que faz aumentar a pressão sanguínea e atuar sobre o sistema nervoso. O termo Síndrome de Otelo foi sugerido para designar uma complexa rede de pensamentos e emoções irracionais, muitas vezes associado a comportamentos exagerados e violentos, derivados da exacerbada preocupação com a suposta infidelidade do parceiro, baseada em provas inconsistentes e por vezes imaginárias.
 
O ciúme mórbido é uma entidade que ri da realidade. Inúmeras expressões foram utilizadas para designar as formas patológicas de ciúme e interessantes são os seus mecanismos: O Ciúme Delirante tem um teor paranoico e injustificado. O Ciúme Projetado está relacionado à tendência em ser infiel e vê essa tendência na outra pessoa. O Ciúme Concorrencial contém uma certa dose de homossexualidade.
 
Na maior parte das vezes, as pessoas ciumentas possuem grande imaturidade em suas relações e podem ter comportamentos agressivos. O desejo de controlar a fidelidade da outra pessoa costuma ser tão extremado, que pode levar a seguir e se esconder para surpreende-la em flagrante, além de vasculhar metodicamente em seus pertences, checar contas de telefone, ler emails particulares, cheirar suas roupas etc.
 
Qualquer palavra tende a ser interpretada como revelação de infidelidade. E para exercer maior controle, implica e tenta afastar a outra pessoa dos amigos e parentes. Se esse problema perdura pode ocasionar um fim trágico, pois quem sente ciúme doentio resiste a qualquer argumentação e ignora qualquer prova de inocência. Sua paranoia torna-se numa procura obsessiva pelas provas da infidelidade.
 
Os sentimentos de posse e exclusividade em relação ao outro também podem estar relacionados ao modelo familiar que a pessoa teve. A pessoa que na infância teve a atenção dos pais focalizadas nela, terá dificuldades para se relacionar e tenderá a viver em função de outra pessoa. Por isso pode exigir
exclusividade de atenção e sentirá ciúmes de qualquer pessoa que aproxime de quem ama.
 
Um dos meios para diminuir o ciúme extremado é ampliar o convívio social com outras pessoas, porque assim aprende a dividir a atenção de quem ama com outras pessoas e compreende o quanto sofre alguém acusado injustamente de infidelidade. Também é preciso recuperar a autoestima e confiar mais em si, reconhecendo suas virtudes e qualidades. Em alguns casos, um tratamento psicoterápico torna-se necessário.
 
Quem se envolve com um ciumento patológico vive em constante ameaça, o que torna o relacionamento desgastante e penoso. Muitas vezes a pessoa lamenta não tanto a infidelidade, mas a destruição da imagem idealizada que mantinha da outra pessoa. Além disso, entra em ação um ego frágil que tenta lutar contra qualquer ameaça à autoestima. Um refrão muito conhecido nesses casos é a legítima defesa da honra.
 
O próprio Shakespeare nos põe de sobreaviso contra uma leitura demasiado benevolente do personagem, através do diálogo de Iago: “ Nosso corpo é nosso jardim e nossa vontade é o jardineiro. Se a balança da vida não tivesse o prato da razão como contrapeso para o da sensualidade, nosso temperamento e a baixeza de nossos instintos nos levariam às mais desastrosas consequências. Mas nós temos a razão, para arrefecer nossas paixões furiosas, nossos impulsos e nossos desejos desenfreados”...

 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A vida sempre conspira a nosso favor

 

A vida sempre conspira a nosso favor e tende a nos levar pelo caminho onde mantemos o nosso foco. Quando direcionamos nossa atenção para um ponto e colocamos ali nossas energias, a vida entende que é naquele ponto que queremos chegar e se encarrega de nos levar até lá.

A vida costuma seguir o que pensamos, o que dizemos e o que sentimos. Por isso é importante definirmos o que queremos em nossa vida, acreditar que somos capazes, direcionar nossos esforços para atingir os nossos objetivos e não permitir que coisas de pouca importância nos tire o foco.

Há caminhos que tentam nos seduzir mostrando-nos muitas facilidades e exigem pouco esforço. Esse é o caminho ilusório, que não mostra as dificuldades de início e pode nos levar a lugares aonde não desejávamos estar.

É fácil cair na tentação de seguir pelo caminho das facilidades e ilusões. Esse é o caminho  das negociatas, das trapaças,  da  fraude, da mentira, da negligência, dos vícios, da acomodação às situações que já não fazem mais sentido ou adaptação às situações por conveniência.

Também existem caminhos que a princípio parecem difíceis e exigem mais esforço para trilha-lo. Porém, ao contrário do anterior, conseguimos ver de forma clara e nítida aonde iremos chegar. É o caminho da lucidez a respeito das coisas.

Algumas vezes precisamos ajustar a nossa direção, nos adequando aos nossos recursos e condições, mas ainda assim é possível realizar o que sonhamos. Quem sabe o que quer não se detém diante das dificuldades e nem espera que a vida venha decidir. Age sem medos, sem mágoas, tem fé e coragem para seguir o caminho escolhido. 

Quando somos fieis aos nossos sonhos e acreditamos em nosso poder de realização, nada consegue nos deter. A vida carrega em si uma poderosa magia que se soma à nossa força e poder, fazendo com que possamos atrair o que desejamos no fundo de nossa alma.


 
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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