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sábado, 21 de dezembro de 2013

Não espere o ano novo para ser feliz




Chega o final do ano e começamos a fazer mil planos para o próximo ano. Desde já estamos com o nosso pensamento positivo para realizá-los, porém é importante sabermos que não bastará pensar positivamente para resolvermos as nossas questões e sermos felizes. Mais do que isso, precisamos desde já começarmos a mudar o nosso modo de encarar os acontecimentos e reavaliarmos os nossos valores, crenças e atitudes.

Valor é algo muito pessoal e cada pessoa tem uma noção de valor diferente. Isso significa que cada pessoa define o que é mais importante para si. Uns consideram que aprender é essencial; outros acham que é divertir. Tem aqueles que pautam suas vidas pela honestidade, justiça e igualdade, outros consideram mais importante cuidar da própria vaidade. Alguns tem como prioridade a interação com os outros, ser solidário, ajudar ou cuidar de outras pessoas. Enquanto isso, muitos estão cuidando é da própria realização pessoal. E então, o que é mais importante para você?

Nossos pensamentos, sentimentos, ações, decisões e escolhas são influenciados diretamente por nossos valores pessoais. Aquilo que atribuímos maior significado será determinante para nos direcionarmos num caminho. Se não soubermos o que mais valorizamos, o que tem um significado para nós, certamente iremos ficar confusos em nossas decisões ou poderemos decidir por caminhos que não nos servem e podem até se tornar numa tragédia pessoal. Por isso, é importante sabermos quais são os nossos valores pessoais.

Quando compreendemos bem os nossos valores pessoais, quando sabemos o que mexe mais com a gente, o que nos motiva e nos fazem sentir bem, não temos dúvida nenhuma quanto o caminho a seguir e aumentamos as possibilidades de sermos bem sucedidos. No entanto estamos passíveis de cometermos alguns erros, que podem dificultar a materialização dos nossos valores. Um desses erros é confundir os nossos valores com os valores de outras pessoas ou da sociedade onde vivemos.

Conselhos servem apenas como referência

Nossa família é um pilar importante para realizarmos os nossos objetivos mais importantes, assim como os nossos parceiros, amigos, colegas do bairro, da escola e conhecidos em geral. E quando consideramos que as pessoas de nosso relacionamento são a nossa prioridade, tendemos a considerá-las em nossas decisões para que possamos atingir os nossos objetivos sem causar desconforto nas pessoas que nos são caras.

Mas por vezes investimos nossa vida fazendo algo simplesmente porque outras pessoas ou a sociedade diz que é o mais correto. Os conselhos e recomendações que recebemos podem até servir como uma dica legal, principalmente quando encontramos pessoas gabaritadas para isso. Entretanto, tudo o que as pessoas dizem se baseia na experiência delas e pode não servir para nós. Por isso, conselhos devem servir apenas para que possamos descobrir as nossas próprias capacidades, potencialidades e qualidades.

Cada ser humano é único

Um dos grandes problemas da humanidade é sentir na obrigação de ser ou de fazer as coisas, porque é o que outras pessoas esperam ou seguirmos o que a maioria faz. Muitas vezes nos sentimos pressionados pelas convenções e acabamos por sufocar a nossa essência. E, por não coincidir com os nossos valores pessoais, acabamos tropeçando em nossos próprios pés e vivendo de uma forma infeliz.

A principal questão é compreender que jamais conseguiremos agradar totalmente todas as pessoas. Ainda que estejamos nos esforçando para fazer algo de bom, sempre faremos algo que alguém não estará de acordo e sempre haverá alguém palpiteiro para dizer como deveríamos agir. Da mesma forma, nunca pense que conseguirá ser ou viver exatamente como outra pessoa. As pessoas servem como uma referência para alcançarmos qualidades e habilidades, mas cada ser humano é único.

Medos todos tem, mas segurança nunca teremos

Outro erro muito comum é nos apegarmos a uma zona de conforto pelo medo de corrermos riscos e pela incerteza dos resultados. É certo que nunca devemos nos arriscar demais, porém segurança total é uma ilusão. Nunca estaremos plenamente seguros, pois a incerteza faz parte da vida. Por exemplo, é muito comum na vida profissional vermos pessoas que optam por permanecer no mesmo emprego por vários anos, mesmo que sejam mal remuneradas, ao invés de ir em busca de novas oportunidades.

Às vezes precisamos sair da zona de conforto para expressarmos os nossos valores e encontrarmos satisfação pessoal. Para isso precisamos acreditar mais em nós mesmos, em nossas capacidades e habilidades. Quando estamos cientes das nossas limitações e do que somos capazes, temos mais possibilidades de optar por caminhos de acordo com os nossos valores e que nos possibilitem satisfação e crescimento.
 
Quem sabe o que quer e onde quer chegar, tem mais possibilidades de acertar. À primeira vista pode parecer simples, mas não é. Tem muita gente vivendo uma vida que não quer e nem sabe dizer sobre a vida que gostaria de ter. Por vezes a nossa história vai sendo construída sem traçarmos um rumo para onde pretendemos caminhar. Circunstâncias, momentos de dificuldade, medos, confusão e falta de clareza nos próprios valores podem acabar nos levando para um lugar onde não gostaríamos de estar. Mas podemos reverter esse processo começando por definir o que é importante para nós e o que queremos construir.

Importante é acreditar em nós mesmos e em algo superior

Outro ponto importante é não nos colocarmos na dependência de outros e nem ficar esperando que outros resolvam suas vidas para tomarmos uma atitude. Depois de termos determinado o que é mais importante para nós, precisamos enfrentar as situações confiando em nós mesmos e em nossas capacidades. Isso irá nos ajudar a superar os nossos medos.

Se houver riscos, basta analisarmos os meios possíveis de contorná-los. Mas não fique vendo fantasmas onde não existem. Acreditar em algo que está acima do que podemos ver, significa termos um ponto de apoio. Dizem que a fé remove montanhas e isso se torna verdade quando somamos à nossa força de vontade para superar obstáculos e continuar em nossa empreitada.  

Seja fiel a si mesmo


A honestidade é um valor necessário para conquistarmos a confiança dos outros e termos sucesso em nossa vida pessoal. É importante sermos honestos não só com os outros, mas principalmente com nós mesmos e com os nossos valores.

A culpa nasce quando agimos contra os nossos próprios valores. Por isso é tão importante sermos leais e fieis a nós mesmos, buscando viver com dignidade para não estarmos sempre à sombra de deslizes do passado. Fêz algo de errado, confundiu-se, enganou-se? Reflita sobre as suas limitações. Superá-las pode demandar esforço, mas serão compensatórias.


Há pessoas que sempre se justificam dizendo que não tem tempo suficiente para fazer algo para melhorar. Na verdade todas as pessoas tem exatamente 24 horas por dia, a diferença está no modo de se utilizar o tempo. A primeira providência é cuidarmos mais de nós mesmos, dar prioridade aos nossos interesses e ao que consideramos mais importante. E, se sobrar tempo, até podemos cuidar dos interesses dos outros.

Outra questão são as pausas. Elas são essenciais para que possamos refletir, analisar e recarregarmos as nossas energias, mas nunca devem ser longas demais para fugirmos de obrigações e decisões. Depois de uma curta pausa é imprescindível voltarmos à luta e enfrentarmos os desafios da vida.

Você acredita em sorte e azar?

Sorte ou azar não existem. Não existem pessoas sortudas; existem apenas aquelas que fazem as coisas acontecerem e não ficam esperando pela sorte. Na verdade, todo mundo só colhe o que planta. Invejar os outros também não nos levará ao mesmo tapamar dos outros. Todo mundo tem os seus momentos bons e ruins.

E depois de um momento ruim não devemos esperar que tudo mude imediatamente. É preciso um tempo para assimilarmos as mudanças e entendermos que ninguém precisa ser infeliz porque enfrentou um fracasso. Importante é traçarmos um novo caminho e sermos felizes enquanto estamos caminhando em direção ao futuro.

O passado já se foi e a vida só acontece no presente.
Não espere chegar um novo ano
para tornar a sua vida melhor.
Seja feliz desde já!...



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Aprenda com a coruja

 
 


Soberana ave da noite, embora considerada por antigas culturas como mau agouro, para os antigos gregos a coruja era uma poderosa conhecedora do oculto e simbolizava o mistério. Na mitologia grega, Athena que era a deusa da sabedoria, da justiça, da habilidade e da estratégia, trazia consigo uma coruja. Segundo a lenda, a coruja revelava-lhe as verdades invisíveis.
 
Simbolicamente a coruja está associada com a clarividência, a projeção astral, a magia negra e branca. Por muito tempo a coruja foi associada às bruxas e uma antiga superstição dizia que aquele que comesse a carne de uma coruja poderia adquirir poderes divinatórios, dons de previsão e clarividência. Haviam também outras superstições que envolviam a coruja, no entanto com ela podemos aprender algumas competências essenciais ao nosso desenvolvimento.
 
Com seus olhos arregalados, enquanto todos dormem a coruja permanece atenta e vigilante aos barulhos da noite. Por ser a ave que vaga pela noite, a coruja era vista pela antiga cultura grega como símbolo da busca pelo conhecimento e autoconhecimento. Ela caça pelo barulho e isso significa estarmos atentos aos barulhos que vem de nossa mente, aos pensamentos que giram, giram e nada concluem.
 
Os gregos consideravam a noite o momento propício para a reflexão filosófica e a coruja era considerada uma mensageira que aparecia em sonhos e meditação. Sendo um símbolo da inteligência, reflexão, sabedoria e conhecimento racional e intuitivo, para os antigos gregos a coruja não estava relacionada à percepção direta das coisas. Por se orientar pelo reflexo da luz solar sobre a Lua, os gregos associaram a coruja ao conhecimento, que é fruto da reflexão e sabedoria. Enxergando através da escuridão, ela consegue ver o que outros não veem.

Na tradição dos índios norte-americanos dizia-se que a coruja morava no leste, um lugar de iluminação. Eles diziam: "Se buscas respostas, pergunte à coruja que é tão sábia e tenha disposição para receber uma resposta que possa levar você a uma viagem por mundos desconhecidos tanto no plano físico, quanto mental, emocional e espiritual. É a coruja que nos ensina sobre o mistério, o desconhecido, o que se esconde nas sombras, a sabedoria de viver e os mistérios da morte. Grande parte da medicina da coruja é secreta, estando relacionada a antigos conhecimentos do feminino e da Lua."
 
Geralmente são chamados "pais corujas" aqueles que ressaltam com um certo exagero as qualidades dos filhos. Conta uma fábula que, pretendendo proteger seus filhotes de predadores, a coruja dizia aos outros animais que os reconheceriam facilmente porque eram os mais bonitos da floresta. Daí o dito popular: "Toda a coruja gaba-se do seu toco". Embora tenha se tornado um símbolo da feiúra, a coruja ensina que a aparência externa não vale mais do que a beleza interior que é inerente ao espírito.
 
Enquanto a humanidade receia a escuridão e se ilude, a coruja enxerga no breu da noite e percebe tudo com clareza. Capaz de girar a cabeça quase que completamente, a coruja mostra a necessidade de analisarmos todos os lados de uma questão. O termo "ficar corujando" significa saber ouvir e prestar atenção. Com sua grande capacidade de audição e visão, a coruja ensina que precisamos compreender que há outros pontos de vista. Isso é o início de sabedoria...
 
 
 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Quer salvar o mundo, salve a si primeiro



O avião estava prestes a decolar e pela milionésima vez orientava o comandante: "Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente a sua frente. Coloque primeiro a sua e só então auxilie quem estiver a seu lado"... A imagem no monitor mostrava justamente isso: uma mãe colocava primeiro sua máscara e depois a máscara de seu filho pequeno.
 
Podemos até pensar que a tendência natural de todas as mães é instintivamente salvar o filho e depois pensar em si mesma. Mas a orientação dentro dos aviões tem lógica: como podemos ajudar quem quer que seja se estivermos sufocados, desmaiados... Por mais que pareça egoísmo, se queremos cooperar para salvar o mundo, temos de começar salvando a nós mesmos.
 
Tem muita gente por aí fazendo discurso e reclamando em nome dos outros, mas mantém a própria vida desarrumada. Não cuidam de si mesmos, trabalham com o que não gostam, não buscam mais informações e estão mais propensos a protestar do que a aprender. Com esse tipo de pensamento, o que podem transmitir aos outros. Que exemplo eles podem passar?
  • Quer uma cidade mais limpa, comece por seu quarto e o banheiro de sua casa.
  • Quer mais justiça social, respeite os direitos da empregada doméstica que trabalha em sua casa.
  • Você deseja um transito menos violento? Avalie como você mesmo dirige.
  • Quer uma vida melhor para todos? Comece por si mesmo: pare de praguejar e vá em busca de soluções viáveis para seus problemas.
Tudo o que nos acontece é responsabilidade nossa, salvo as tragédias pessoais que não podemos prever. E, mesmo entre os menos afortunados, há os que viram o jogo ao contrário dos que viram uns chatos.
  • Antes de falar mal das revistas de fofocas, pense se você mesmo não está fazendo comentários desnecessários.
  • Coloque sua camiseta pró-ecologia, mas antes lembre-se de não jogar lixo na rua.
  • Salve os animais, mas também tenha paciência com seus pais e com os mais velhos.
Uma coisa está relacionada com a outra: você e o universo. Quer salvá-lo? Garanta-se primeiro. Não se sinta culpado em pensar em si próprio. Antes, cuide de si e arrume o que é seu. E, estando quite consigo mesmo, vá em frente e mostre aos outros como se faz...
 
 
 
 

sábado, 5 de outubro de 2013

Há males que vem para o bem



Diziam nossos avós: "Há males que vem para o bem..." Quem nunca ouviu essa frase? Na juventude até duvidamos, mas anos depois quando analisamos alguns acontecimentos concluímos que realmente é verdade. Ainda que não consigamos perceber isso no momento de um sofrimento, todas as dores tem sua função, sua razão de ser e traz uma lição para nos ensinar.

Não podemos controlar tudo o que nos acontece, mas podemos construir para nós um futuro sempre melhor se estivermos atentos. A vida nos dá sinais a todo momento. Se algo não vai bem, a vida se incumbe de nos mostrar a verdade. Porém muitas vezes ignoramos ou negamos a realidade, tendendo a querer ver apenas  aquela que desejamos. Deixamos ser influenciados pelo que nos convém, porém cedo ou tarde a realidade irá se impor e nos derrubar de cima das nossas ilusões.

Confia-se em quem se gosta. A mentira, falsidade e traição é uma punhalada em pleno coração desarmado, no entanto, tudo se denuncia antes. Somos nós que não prestamos atenção nos sinais de caráter, conversas, comentários, comportamento e no descompromisso dos outros. Por afeição, distração ou qualquer outro motivo, não consideramos os sinais. Entretanto, se estivermos atentos aos sinais, podemos atuar antes que situações nos peguem desprevenidos.

Momentos críticos são muito ruins, mas abrem a nossa visão. A verdade ameniza a dor, que perde o viés do insuportável para nos mostrar novas possibilidades. Mas isso só acontece se não deixarmos que o orgulho tome a direção, porque daí pode nos colocar em becos sem saída. Não adianta procurar e querer punir culpados para ter uma saída honrosa, e muito menos se fazer de vítima para despertar compaixão.

O que hoje parece uma tragédia, pode se revelar benção no futuro. Às vezes, o universo usa caminhos estranhos para nos levar ao lugar certo. É necessário saber aceitar alguns acontecimentos e ter confiança no futuro, em nós mesmos, nos nossos talentos e capacidades. Um dia, quando menos se espera, a gente se supera e chega mais perto de ser quem na verdade a gente é...


 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O que é o amor

 

Hoje é  Dia de São Francisco, uma oportunidade para lembrarmos de suas palavras:

O amor é paciente, é benigno. O amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece. Não se conduz inconvenientemente, não procura seus próprios interesses. Não se exaspera não se ressente do mal,  não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e tudo vence..
 
Amor... Amor... Amor... Muito já se escreveu e se escreverá sobre o amor, um dos temas mais abordados em todas as épocas. O amor está relacionado ao romantismo que permeia as relações apaixonadas, à cumplicidade madura dos casais mais experientes e até nas questões levadas ao divã dos psicanalistas. E o que é o amor? Será que existe uma única definição para um tema tão complexo? Ou será que cada um pode definir o amor colocando no mundo milhões de definições.
 
A maioria das nossas confusões afetivas parte da nossa incompreensão e da nossa inexatidão a respeito dos conceitos. Sempre haverá pessoas reclamando que não encontraram o grande amor de suas vidas, entretanto só encontramos o que procuramos e estamos preparados para encontrar. Às vezes até encontramos, porém não o reconhecemos ou não o sabemos valorizar.
 
Muitas pessoas vivem a ilusão de encontrar sua "alma gêmea", se sentem incompletas e tentam buscar a sua outra metade. Isso significa delegar para outra pessoa a difícil missão de fazê-las felizes e suprir o que lhes falta, esquecendo que isso só depende delas mesmas. E mesmo nos casos de amor mais lindos e perfeitos, as pessoas só poderão ser felizes se forem inteiras e não metades.
 
Desejar se unir a alguém só pode ser verdadeiro se houver o desejo de compartilhar universos semelhantes mas também diferentes, porque querer encontrar semelhança total é tolice. É na diferença que podemos crescer e expandir nossos horizontes. É comum as pessoas se apaixonarem por pessoas parecidas com elas, como se fosse um espelho. Mas também há outras que se apaixonam pelo oposto, por alguém completamente diferente dela.
 
Quem busca o espelho de si mesma perde a oportunidade de se adaptar e aprender com o que é diferente. Quem busca o seu totalmente oposto, procura alguém que possa compensar áreas não trabalhadas da sua própria personalidade e das suas competências sociais, transferindo para o outro tudo aquilo que tem dificuldade em fazer. Em ambos os casos há um nítido narcisismo, porque amor é um sentimento que parte de nós em direção ao outro.
 
Amar é a maior aventura e também o maior desafio da espécie humana. Só se ama verdadeiramente quando se é capaz de ceder, vencendo o egoísmo e o narcisismo para viver o amor intensamente. Amar significa desejar expandir. É somar e multiplicar e não dividir ou subtrair. O amor é benigno, doa sem se submeter, tolera sem se omitir, compartilha sem se auto-abandonar.
 
Ninguém pode ser responsável pela felicidade de ninguém, porque quem entrega para outra pessoa o fardo de fazê-la feliz está se eximindo da responsabilidade sobre suas próprias emoções, sentimentos e escolhas. Está apenas desejando manter-se no confortável papel de vítima, afinal, se não der certo a culpa é do outro que falhou. 
 
Querer que outra pessoa se responsabilize por sua felicidade caracteriza egoísmo e vaidade, pois parte do pressuposto que você é tão importante é obrigação da pessoa te fazer feliz. Se assim for, trata-se de um amor narcisista; você não sente amor por outra pessoa mas apenas por si mesma. Vale um conselho para os casais: Se querem ser felizes, nunca se casem. Se querem fazer alguém feliz, então case, pois duas pessoas que pensam assim serão felizes para sempre!...
 
 
 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Haja paciência de Jó


Todos nós sabemos a importância de termos paciência no nosso dia-a-dia, pois não podemos dar vazão às nossas explosões emocionais, sob pena de destruirmos os nossos relacionamentos e até nos colocarmos em más situações. Mas às vezes surgem situações em que desabafamos: “Haja paciência de Jó”.

E quem foi Jò? Jó foi uma figura bíblica do Antigo Testamento que teria vivido na terra de Uz, atualmente terras do Iraque. Ele era muito rico e tinha uma grande família, sendo considerado o maior homem entre todos do Oriente. Porém certo dia quando uma multidão se reuniu diante de Deus, Satanás disse que Jó tinha fé somente porque vivia em prosperidade. Para provar a fé de Jó, em um único dia sua casa foi destruída, suas plantações foram aquiniladas, seus rebanhos e sua família foram dizimados. No entanto Jó disse: Deus tudo me deu e tudo me tirou. Bendito seja o nome do Senhor.

Jó se dispôs a reconstruir sua vida, mas lhe surgiu uma doença deixando-o com inúmeras feridas pelo corpo. Naquela época as doenças eram vistas como um castigo para quem tivesse feito algo de mal. Os amigos de Jó o acusaram e julgaram que tanta tragédia só poderia resultar de um castigo e o abandonaram. Mas Jó decidiu lutar para provar sua inocência.

Pacientemente Jó sofria, mas buscava se reconstruir enfrentando todas as dificuldades. Finalmente Deus apareceu e mudou a situação de Jó devolvendo-lhe em dobro tudo quanto antes possuía, inclusive sua família junto da qual viveu mais de uma centena de anos. Jó venceu por sua paciência, persistência, força de vontade e fé em dias melhores... 

O que se conclui da história de Jó?

Há muitas conclusões, mas principalmente as reações de Jó diante dos acontecimentos. Hoje vivemos na era moderna em que tudo se desenvolve mais rápido, os meios de comunicação são mais velozes e nosso cotidiano flui com mais facilidade. No entanto, estamos perdendo a habilidade de lidar com o nosso tempo interno.

Estamos nos viciando na pressa e sendo dominados pela impaciência. Queremos que nosso mundo interno, nossas emoções, sentimentos e percepções, fluam com a mesma velocidade máxima da internet. Nos desesperamos quando as coisas não funcionam de acordo com as nossas expectativas. Estamos sendo subjugados pelo imediatismo e pela ansiedade de nos livrarmos rapidamente dos sentimentos de frustração.

Como não toleramos esperar o tempo natural do amadurecimento de nossas emoções, sofremos a dor da impaciência e a ansiedade que nos queima por dentro. Não damos o devido tempo para sentir, digerir, compreender e transformar nossas emoções. Temos pressa de resolver tudo prontamente, esquecendo que tudo tem seu devido tempo. Não damos tempo ao tempo.

Dentre as sete virtudes, a mais difícil de desenvolver é a paciência. Porém é possível aprender praticando-a nos diversos momentos de nossa vida, seja no trabalho, na escola, na convivência familiar, no transito, na fila do banco etc. Ser paciente é ser educado, ser humanizado, ter caridade e compreensão com o próximo, agindo com calma e com tolerância.  Cultivar a paciência significa estar acima da negatividade. 

E, para saber se estamos praticando verdadeiramente a paciência, basta observarmos como estamos lidando com os outros; qual tem sido o impacto de nosso comportamento e nossas palavras sobre as demais pessoas. Da mesma forma, nos machucamos menos quando respeitamos a nossa necessidade natural de ter tempo e espaço para estar com nossas emoções, sejam elas positivas ou negativas.

Autocontrole advém do autoconhecimento. E quanto mais reconhecemos e respeitamos os nossos limites, mais nos sentiremos capazes de manter o autocontrole, porque não vamos além do que podemos aguentar. Isso não quer dizer que iremos explodir e nem nos tornar covardes. Ao contrário, é por meio da paciência que conseguimos desenvolver uma auto-imagem firme e segura, sem precisar lutar contra o mundo.

A tolerância e a paciência são fontes de apoio seguro, que nos dá clareza de pensamento para decidirmos. Essas são duas virtudes que nos permitem manter controle emocional, não nos deixando contaminar pela raiva ou pela revolta quando as coisas fogem ao nosso controle. Com paciência conseguimos tolerar erros e fatos que não desejamos, compreendendo que nem tudo se desenrola como e quando queremos ou planejamos. Lembremos da paciência de Jó...

O autocontrole saudável não reprime os sentimentos: lida diretamente com eles. Suportar uma dificuldade significa criar um espaço para si, libertar-se da ansiedade para esperar o momento certo de agir. Certamente lidamos com pessoas difíceis, mas quando pensarmos que precisamos de paciência para lidar com alguém, o melhor é distanciar-nos e criarmos um espaço entre nós e essa outra pessoa, para assim podermos recuperar nossa autonomia emocional.

Isso não significa sermos covardes e submissos. Não se deve confundir autocontrole com a repressão de sentimentos, muitas vezes tolerando o que não é para ser tolerado. Em certas situações adversas, podemos pensar que estamos tendo paciência, quando na verdade estamos apenas nos sobrecarregando, suportando as pressões externas à custa de muito sofrimento interno. Paciência não deve ser confundida com tolerância extrema, nem estar vulnerável ou permissivo às condições externas. 


O autocontrole excessivo nega as nossas necessidades internas e faz nascer o rancor devido à raiva reprimida, à emoção contida e à falta de reação a uma provocação. Ser paciente não significa ser uma vítima passiva da desorganização alheia. Não é útil, por exemplo, ter paciência em uma situação em que se esteja sendo explorado. Quem nunca se confundiu achando que estava tendo paciência, quando na realidade estava "engolindo sapos"? 

domingo, 11 de agosto de 2013

Dificuldade em impor limites



Como é difícil impor limites! Quantas vêzes nos sobrecarregamos de compromissos para atender exclusivamente aos interesses dos outros? Quantas vêzes costumamos engolir calados as exigências de parceiros, filhos, família além das cobranças dos nossos chefes no trabalho? Quantas vêzes suportamos o vizinho que nos incomoda, o colega de trabalho que nos empurra suas tarefas e aquele amigo ou amiga que não perde uma oportunidade de tirar algum proveito? Pois saiba que reverter esse processo depende exclusivamente de você.

Essa falta de critérios estando sempre à disposição dos outros, deixando-se explorar e concordando com todos tem um nome: dificuldade em impor limites. Esse é o sintoma típico de quem não presta atenção em si, porque impor limites é um atestado de individualidade. Impor limites significa respeitar e não extrapolar os limites de sua resistência. E quanto mais tempo se demora para impor limites, mais tempo levará para aprender.

Você pode ter passado longos anos de sua vida concordando com todo mundo e por fim você nem sabe mais do que você gosta de verdade e nem o que você quer da sua vida. Você nem reconhece mais as suas próprias necessidades, por isso torna-se complicado negar exigências externas. Você se tornou tão disponível para os outros, que já nem se disponibiliza para si mesmo.

Por não conseguir se impor, com o tempo a insegurança vai tomando conta e você vai entrando em um quadro de menos-valia. E, para compensar essa fraca auto-estima, você tenta se superar o tempo criando uma mania de perfeccionismo. E cada vez que você não se impõe, mais aumenta a sua auto-exigência. Muitas vezes o desgaste emocional que você enfrenta passa despercebido e você cria resistência para lidar com situações inesperadas.

Para perceber se você tem dificuldade em impor limites basta analisar sua vida, preferencialmente distante de todas as situações estressantes, ou seja, longe de amigos, vizinhos, família, trabalho etc. Pergunte-se porque você é tão disponível? O que você ganha e o que você perde ao tomar atitudes que ultrapassem seus limites?

Aprender a impor limites é algo difícil e requer aprendizagem. A princípio as pessoas podem achar estranho seu novo comportamento e podem até exigir atenção tentando despertar seu sentimento de culpa. Porém, aprenda a dizer "Não" quando não puder atender a outros. Não gostou de uma atitude ou de uma conversa, diga na hora: não gostei! Defenda seu espaço. Você tem esse direito...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Decepção não mata, ensina a viver



Quem nunca se decepcionou?  A decepção e a desilusão é um sentimento de insatisfação diante de expectativas que não se concretizam. E, quanto maior for a expectativa sobre algo ou alguém, tanto maior será a frustração. Esse é o alto preço que pagamos quando acreditamos e esperamos demais das pessoas.

A intensidade da decepção é proporcional ao tempo de convivência, ao valor simbólico amizade e à intensidade da expectativa. Algumas vêzes podemos ser surpreendidos por pessoas a quem sempre dedicamos consideração e atenção.
Decepcionar com pessoas consideradas como amigas é um sentimento muito ruim; chateia e faz ruir bons sentimentos. No entanto sempre podemos aprender algo: a decepção não mata, ensina a viver.  

A decepção doí, mas clareia nossa visão. Decepcionar com as pessoas não é nada legal, porém nos ensina a buscar olhar os outros como eles realmente são. Tenho menos medo de quem me diz o que tem que dizer, do que quem tenta me tratar bem mas não tem coragem de dizer o que pensa e ainda me apunhala pelas costas com sua falsidade, maldades e maledicências. 

Abandonar pessoas falsas pelo caminho é saudável. É livrar-se de pessoas vazias que nada acrescentam. Pessoas que acrescentam são verdadeiras, riem e choram contigo. Elas xingam e criticam, mas terminam por te dar um abraço. Elas gostam de você de verdade e querem sua felicidade. É a amizade mais linda que pode existir. Por isso não perca tempo com os falsos, pois eles preenchem um espaço que poderia estar ocupado por uma bela amizade.

A verdadeira amizade é o que existe de mais puro no mundo. Amizade não se compra, não se cobra e não se implora. Amizade verdadeira é dada de coração e alma, sem esperar por nada em troca. Bons amigos ficam horas falando sobre nada e ao mesmo tempo sobre tudo. Bons amigos relevam pequenas coisas, pois há coisas maiores e mais importantes. Relevam erros pois há muitos acertos. Por isso, nunca implore para que alguém fique do seu lado. Se precisar pedir, é porque está na hora de partir...



 


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Eu era feliz e não sabia


Muitos poetas se tornaram cérebres ao tratar do saudosismo de belos tempos, porém Ataulfo Alves se destacou quando criou a bela canção que eternizou o triste lamento: "Eu era feliz e não sabia!". A canção nos adverte sobre a tristeza de não se ter consciência da verdadeira felicidade e vê-la irrecuperavelmente perdida no próprio passado.

Muitas pessoas somente descobrem a felicidade depois de tê-la perdido definitivamente e seu maior sofrimento está em constatar que menosprezaram e desprezaram pessoas, coisas e situações quando a tinham inteiramente ao seu dispor. Exemplo disso são os filhos ingratos que somente reconhecem o valor da dedicação e amor de seus pais depois que eles partem da vida ou naqueles que, com seus atos irresponsáveis e imaturos, destroem seus relacionamentos através do egoísmo e traição para depois reconhecer que perderam o verdadeiro amor de suas vidas.

Logicamente não podemos viver de arrependimentos do passado, mas podemos aprender com eles para não perdermos tempo com futilidades e pensar em nossas atitudes, postura perante a vida e escolhas. Se você pensa que no futuro pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça tudo de uma forma que no futuro possa dizer: eu faria tudo de novo e exatamente do mesmo jeito. A vida só é vivida uma vez, cada momento é único e não volta jamais...


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Síndrome de Alice



O clássico conto de "Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carroll conta que, certa manhã enquanto Alice estudava no campo junto com sua professora, como de hábito ela fechou os olhos pois assim podia deixar sua mente vagar na imaginação. Adormecida, Alice iniciou uma estranha viagem. 

Vendo um coelho apressado ela gritou para que ele esperasse, mas ele entrou correndo num buraco.  Quando Alice quis acompanhá-lo, ela caiu num poço sem fundo. Finalmente ela parou num corredor mágico e tornou a ver o coelho que sempre repetia: Estou atrasado! Estou atrasado! Para continuar a seguí-lo ela teve de seguir as recomendações de beber uma poção. De repente ela começou a diminuir de tamanho e foi ficando bem pequenina.

Quando finalmente chegou então ao País das Maravilhas, dois irmãos riram dela devido à sua pequenez. Alice viu novamente o coelho e indo atrás dele entrou numa casa. Comeu um bombom que estava em cima da mesa e começou a crescer. Cresceu tanto que transbordou da casa. Em vez de ajudá-la, o coelho preferiu sair correndo dali. Então Alice mordeu uma noz e ficou pequena de novo e saiu dali apressada.

No caminho encontrou o Gato dos Desejos que lhe perguntou: - Para onde você quer ir? Ela respondeu: Eu não sei, tanto faz. Quero apenas sair daqui. Daí o gato complementou: - Bem, para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.

O Gato levou-a para uma festa esquisita. Lá uma lebre disse-lhe que estavam a celebrar uma festa de "desaniversário", mas quando quis saber como encontrar o coelho lhe indicaram um cruzamento de mil caminhos. Alice escolheu um ao acaso. Depois de muito caminhar Alice finalmente encontrou o coelho, mas ele mandou-a embora porque a Rainha estava a chegar.

Alice não percebeu nada. Viu uns valetes com pernas a pintar as rosas de vermelho que falavam. E de repente chegou a Rainha querendo jogar criquet com Alice. O gato fez cair a Rainha, porém ao levantar-se ela gritou que lhe faltavam os brincos reais. A Rainha acusou Alice e mandou que os carrascos lhe cortassem a cabeça. Apavorada, Alice deu um grito e voltou ao mundo real. Teria sido um pesadelo? 

* * *

A mesma história acontece com quem sofre da Síndrome de Alice: não sabe onde está e nem onde quer chegar. E quando resolve correr atrás de um objetivo não presta atenção para onde está seguindo, tornando a sua vida e a vida de outros em um pesadelo.

Assim como Alice há pessoas que vivem sem objetivos, que navegam pela vida como um barco à deriva, sem direção. Elas só querem admirar a paisagem e preferem sentar no banco do passageiro, deixando que outros as conduzam. Para essas pessoas restam apenas duas opções: chegar a qualquer lugar ou a lugar nenhum. E quando encontram um objetivo, mergulham nele sem se importar com as consequências desastrosas.

Por falta de autoconhecimento, ora se sentem grandes e corajosas, ora se sentem pequenas e diminuídas. E, por não estarem atentas à realidade, ora fazem projetos acima de suas reais possibilidades, ora reclamam de tudo: do emprego, da conjuntura econômica, das circunstâncias e do seu estilo de vida. Elas perdem tempo reclamando da vida e de seus fracassos, deixando passar as oportunidades que encontram. 


Quem pensa que a vida é como um conto de fadas, invariavelmente pensa que pode trocar o mundo real pelo irreal. Diante de fracassos podem até culpar outros, sem perceber que a responsabilidade de sua vida está em suas próprias decisões. Porém em algum momento da vida essas pessoas acabarão sentindo desconforto ao se confrontar com a realidade. A vida é bela, mas nem sempre tão cheia de maravilhas...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rir é um santo remédio



Algumas vezes a vida nos apresenta problemas e desafios que nos deixam ansiosos, depressivos e de mau humor. No entanto, podemos escolher rir dos problemas, da nossa vidinha triste e sem graça, rir de nós mesmos. É mais fácil superar as dificuldades quando mantemos o otimismo, a fé, alegria e bom humor. Muitos vão perguntar: rir de quê com tudo isso acontecendo?

Há 1.000 motivos para sofrer e chorar, mas há 1.001 para rir e se alegrar. Conhecer as condições mentais que destroem nossa alegria e reconhecer as que favorecem o nosso sorriso, faz a diferença. Rir faz vibrar todas as células de nosso organismo, faz bem para a saúde, ajuda a dormir melhor,
rejuvenesce, aumenta a auto-estima, auxilia na aproximação das pessoas e cura os males da alma e do coração. 

Disse Pablo Picasso que para a vida ser mais criativa é preciso rir sempre, muito e alto, rir até não poder mais, inclusive de nós mesmos. Além de curtir melhor a vida, o bom humor é considerado aliado da qualidade de vida. São muitos os benefícios do riso, mas principalmente porque fortalece o sistema imunológico, o sistema cárdio-respiratório e o aumento da insulina.

Cientistas revisaram estudos e dizem ter encontrado provas claras de que a alegria e o estado de ânimo positivo proporcionam boa saúde e à longevidade. 
Também aliviam o nível de hormônios ligados ao estresse e ajudam o coração a se recuperar depois de um esforço ou de uma condição estressante. 

Está triste, estressado ou desanimado? Vá assistir uma comédia, um filme, uma peça teatro ou um programa na tv bem engraçado. Divirta-se num passeio ou num parque. Ria. Principalmente durante a convalescência procure rir muito. Os benefícios do riso já foram comprovados em crianças que recebem a visita dos Doutores da Alegria nos hospitais. 

A Rigoloterapia é um conjunto de técnicas criadas por Corinne Cosseron. "Rigolô" quer dizer engraçado, divertido, ou seja, uma terapia divertida através do riso. Por isso, além de divulgar os males da obesidade, do cigarro e dos hábitos alimentares, as campanhas de saúde pública poderiam adicionar:
   " Combata a depressão, evite mau-humor, 
ria muito e seja feliz. Rir é um santo remédio..."

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Honra teu pai e tua mãe


Num bosque existia uma enorme e bela macieira onde um garoto adorava brincar. Diariamente ele subia até o topo da árvore, comia maçãs e depois tirava um cochilo à sombra da árvore, que se sentia feliz por oferecer alimento e abrigo àquele menino. O tempo passou, o menino cresceu e não mais brincava em torno da árvore como fazia todos os dias.

Um dia o menino voltou e a árvore o chamou para brincar, mas ele respondeu que já não era mais uma criança e agora queria dinheiro e outros brinquedos. Por não ter dinheiro, a árvore ofereceu todas as suas maçãs para que ele vendesse e assim conseguir o dinheiro que precisava. O jovem colheu as maçãs e partiu...

Depois de muito tempo ele voltou. A árvore o chamou para brincar mas o jovem disse que não tinha tempo para brincar, pois precisava trabalhar para comprar uma casa. Para ajudá-lo, a árvore disse que ele poderia cortar todos os seus galhos e assim poderia construir sua casa. O jovem cortou todos os galhos da árvore e partiu...

Algum tempo depois o jovem, que agora já era um homem, reapareceu. A árvore o chamou para brincar mas ele disse que já tinha trabalhado demais e estava cansado. Ele queria apenas descansar navegando pelo lago. Para ajudá-lo, a árvore ofereceu seu tronco e assim ele poderia construir um barco para navegar bem longe e ser feliz. Então o homem cortou o tronco da árvore para fazer o barco e partiu...

O jovem envelheceu e depois de muitos anos retornou até a árvore, que agora era apenas um toco no chão. A árvore disse-lhe que nada mais poderia fazer, pois já tinha dado a ele todas as suas maçãs, seus galhos, seu tronco e agora só restavam as raízes. O velho respondeu: -
Não me interessam as maçãs, porque não tenho dentes para mordê-las. Estou muito velho para subir em árvores e também para navegar. Então a árvore ofereceu suas raízes para que aquele velho pudesse descansar...


 

Essa é uma história muito significativa.
Você pode pensar que o menino foi muito cruel com a árvore, mas é exatamente isso que acontece com muitos pais.  
  • Quando são pequenos, os filhos gostam de brincar com os pais. 
  • Quando se tornam adolescentes, os jovens só aparecem quando precisam de alguma coisa ou quando estão em dificuldades. 
  • Quando chegam à maioridade, saem em busca das aventuras da vida. 
  • Enfim na velhice, só restam as lembranças para lhes confortar.
Quantas vezes vemos pais amargurados com o comportamento de filhos que resvalam na rebeldia, na marginalidade, no consumo de drogas e na indiferença, apesar dos pais terem oferecido o melhor de si, em dedicação, amparo, sacrifício e esforço para bem educar, dando bons exemplos.

É natural que os pais sintam desgosto por verem fracassados seus esforços para que seu filho desenvolva boa educação moral e espiritual, porém devem lembrar que cada ser carrega em si uma missão: se não aprende com os pais, com certeza aprenderá com as dores e provas que encontrará através do seu modo de viver. 
A ingratidão é um dos piores frutos do egoísmo, que se origina no atraso espiritual. O ingrato que retribui o bem com o mal, a generosidade com avareza, o acolhimento com repulsa, o carinho pela aversão e a bondade pela soberba, é um atormentado que supõe tudo merecer sem nada retribuir. Porém, ninguém passa ileso aos olhos de Deus. Um dos mandamentos diz: “honra teu pai e tua mãe”.

A indiferença e a alma endurecida sempre é trabalhada pelos tristes e violentos processos da educação do mundo. Quem não aprende pelo amor aprenderá com a dor, que tem inúmeras possibilidades para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu prosperar, apesar do inestimável afeto paternal. Sofrer é bem diferente do que fazer sofrer. E a dívida será sempre uma carga dolorosa para quem a contrai... 


sábado, 20 de abril de 2013

Lobos em pele de cordeiro


Uma fábula antiga conta a estória de um lobo que certa vez encontrou a pele de um cordeiro. O lobo então teve a ideia de utilizá-la como disfarce para conseguir comida mais facilmente, podendo assim chegar mais perto do rebanho e poder escolher a presa que quisesse sem ser percebido. Apesar de ser uma fábula, ela serve para nos orientar.
 
É próprio do ser humano manter o coração desarmado mostrando-se receptivo com outras pessoas. Isso demonstra humanidade e capacidade de viver em sociedade. No entanto nem todas as pessoas são assim, há pessoas que são lobos maus e vestem pele de cordeiro para disfarçar suas maldades.

Normalmente esses lobos maus são pessoas muito risonhas, que tentam amaciar seu ego fazendo elogios, são bem humoradas, brincam demais com tudo e levam poucas coisas ou nada a sério. Também há um outro tipo que são aquelas pessoas que se mostram perdidas e elegem você como salvador. Aos poucos elas vão conquistando sua confiança e espaço em sua vida, até que consigam dominar você para lhe dar uma mordida fatal. 

Para detectar o cheiro do mal que vive nessas pessoas é preciso maturidade, muita autoestima e combater a ingenuidade que pode levar a situações desagradáveis. O problema é que isso só se aprende com a experiência da vida, mas também pode-se aprender com as experiências dos outros evitando cair em armadilhas semelhantes.

Quem nunca foi feito de bobo ao menos uma vez na vida? Quem nunca foi enganado por alguém, traído, ferido e humilhado? Quem nunca saiu para passear com um meigo cordeirinho de pelos brancos como a neve e acabou caindo na boca do lobo mau de olhos vermelhos e de sua baba maldita? Todo dia isso acontece com alguém desprevenido.

É impossível evitar o encontro com esses monstros, mas é possível reconhecê-los logo após o primeiro arranhão. Lobo mau inventa histórias para sensibilizar e despertar o seu lado heroi. Lobo mau se esconde atrás de falsas credenciais. Lobo mau mente, manipula, explora, engana e nem se preocupa com os sentimentos dos outros.

Para prevenir-se é preciso desenvolver o olfato. Sentiu o cheiro do mal? Afaste-se imediatamente. E não pense ingenuamente que poderá mudar a outra pessoa. Não atenda seus pedidos de perdão. Não se deixe sensibilizar pelas tentativas de manipulação, seja firme e decida o melhor para si. Viver bem significa amar-se, proteger-se e afastar-se de qualquer perigo.
 
Caiu na armadilha? Não se puna pelo que aconteceu e nem queira punir o outro, pois isso aprisiona. Liberte-se do que ocorreu e aprenda a evitar que aconteça novamente. Volte a viver sua vida como acredita que ela deva ser. Não abra mão de seus valores e sinta-se livre para escolher, com muito critério, quem pode fazer parte de sua vida e fazer você feliz.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sindrome de Dom Quixote




Quem nunca ouviu falar de Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro andante montado em seu cavalo Rocinante, que junto com seu leal escudeiro Sancho Pança sairam a viver grandes aventuras para honrar o amor que tinha por sua amada Dulcinéia. Essa obra literária, um clássico da literatura mundial criado por volta de 1605 por Miguel de Cervantes, traz uma ficção e serve para reflexão.

Depois ler sobre expedições e batalhas vividas por cavaleiros antes do seu tempo, Dom Quixote perdeu o juízo e viveu sua própria loucura lutando contra guerreiros imaginários, vivendo honrarias inexistentes e até prometendo um reino ao seu escudeiro. Dom Quixote não tinha consciência do que fazia. Ele havia se aprofundado tanto naquele mundo irreal que começou a ver coisas, no entanto, suas aventuras não passavam de fantasias que acabavam desmentidas pela realidade.

Por vezes, seu fiel escudeiro Sancho Pança com sua ilimitada cumplicidade, duvidava das histórias, promessas e crenças de seu líder. Porém Dom Quixote se enchia de argumentos que logo o fazia retornar e compartilhar de sua insanidade. Como toda pessoa sem juízo, Don Quixote encontrava muitas pessoas que preferiam deixar que ele vivesse seu sonho, afinal era apenas mais um louco no mundo. No entanto, uma pessoa sem juízo pode ser suficiente para causar grandes estragos.

Vendo moinhos de vento, Dom Quixote via monstros que deviam ser combatidos. Depois de lutar contra gigantes imaginários ele percebeu que de fato eram apenas moinhos, porém sua imaginação era tão sem limites que ele começou a achar que algum mago o teria hipnotizado fazendo com que ele visse moinhos nos gigantes. Ele sempre encontrava uma forma de transformar a realidade em irrealidade.

Essa é a famosa Síndrome de Dom Quixote, um transtorno depressivo que atinge as pessoas que distorcem o que ouvem e veem coisas que não são reais. Alguns que sofrem dessa síndrome podem se tornar extremamente desconfiados dos outros, não sentem suficientemente amados, creem que outros fazem intrigas de si e que o mundo está sempre contra eles.

Também no mundo existe muita gente que luta contra coisas que não existem, acredita em conspirações e ama pessoas que na verdade não são como elas imaginam. Sujeitas a delírios, não conseguem ver as situações e pessoas como são na realidade. E quando constatam como as pessoas realmente são, ainda acreditam que conseguirá modificá-las.

Transtornadas, essas pessoas insistem em reviver seus rancores e vivem continuamente num mundo de tristeza em meio às suas fantasias, que a psiquiatria poderia diagnosticar como paranóicos. Elas são a triste figura de Dom Quixote que ainda continua viva. Todo utópico é um quixotesco, para quem o simples ventilador de teto pode parecer gigantescos moinhos de vento...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Crianças mimadas, adultos imaturos


Durante a infância é normal que queiramos ser o centro do mundo, tanto porque nosso ego ainda está em construção. Achamos que o mundo e todas as coisas são nossas por direito. Isso é fácil de ser observado quando vemos as crianças dizendo: a mãe é minha, o pai é meu, meu irmão, meu brinquedo, minha casa, quero isso e quero já...

Quem nunca presenciou a birra de uma criança num supermercado? A criança chora, se debate, berra enquanto a mãe se sente envergonhada diante dos outros por não atender prontamente os desejos do filho. O comportamento é típico de filhos mimados, que geralmente resulta do excesso de proteção e atenção, da dificuldade dos pais em impor limites e até mesmo da negligência compensada através de presentes.

Pesa também a imaturidade dos adultos que confundem amor com permissividade ou que tentam dar aos filhos tudo o que não tiveram na infância. Criança precisa de limites para aprender a lidar com as frustrações que naturalmente surgirão no decorrer da vida. Quando mais cedo a criança aprende isso, menor sofrimento terá. 

Quanto mais indulgentes forem os pais, maiores serão as chances da criança não respeitar regras. E, se ela cresce acreditando que pode ter tudo quanto quiser, tenderá ao comportamento delinquente desprezando todos que não concordarem com seu jeito de pensar e agir. Cada uma das fases da vida exige dos pais atitudes firmes, afetuosas e limites bem colocados, evitando futuros transtornos de comportamento. Nenhum ser humano consegue tudo que quer na hora que desejar. 

Adultos imaturos tendem a manter a mesma postura da criança mimada, querendo exigir que o mundo e todas as pessoas correspondam aos seus desejos. São pessoas que esperam passivamente que sua família, o governo ou Deus venha a lhes dar tudo o que lhes falta. Elas mantém um ego inflado, se julgam super especiais e quando não ganham gratuitamente o que querem, fazem birra, reclamam e acusam.

Muitos desses egos inflados atribuem a si aspectos de verdadeiros reis ou deuses, um ser todo poderoso a quem todos devem reverenciar e agraciar. Estas pessoas mantém o desejo de explorar o máximo dos outros e criam em suas mentes verdadeiras tramas fantásticas. E quando não obtém sucesso, elas acreditam que alguém ou o mundo está sabotando sua vida. Também costumam abusar do álcool, das drogas ou de negócios ilícitos, porque acreditam que nada pode ser feito contra elas e que nada as atingirá.

Há ainda aqueles tendem a se comportar como heróis, pensando que podem salvar os outros. Ele ou ela se envolve em relacionamentos com pessoas vulgares e irresponsáveis, acreditando que poderão salvar seus parceiros da vida ociosa que levam. Quando percebem que não tem o poder de mudar os outros sentem-se desiludidos, não com outros mas consigo mesmos, porque são obrigados a admitir que não tem o poder que acreditavam possuir.

Quando lidamos com pessoas imaturas é insustentável manter uma convivência sadia. Tentar mudar os outros é mera ilusão. É preciso deixar, quantas vezes for necessário, que a vida se encarregue de mostrar a elas a realidade que lhes cabe. Isso só vai acontecer quando admitirem que precisam desinflar seu ego. Só podemos torcer que os reveses aconteçam na medida que elas possam suportar pois, se for maior, é possível que não sobre nada no que possam agarrar para se levantar novamente.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Como perdoar e obter o perdão


Perdão é um dos temas de reflexão filosófica mais antigos do mundo. Conhecê-lo é importante para a formação cultural e, com certeza, segundo os psiquiatras Freud ou Jung, um ponto de partida para a compreensão de parte da psique humana.

Em nossa cultura cristã somos constantemente pressionados a perdoar. São inúmeras as mensagens que surgem através dos jornais, revistas, artigos na internet e no senso comum a nos estimular a tal atitude. Mesmo supondo que devemos perdoar, que de algum modo é benéfico, a grande questão é: Como perdoar se nos sentimos feridos? O que fazer para que consigamos perdoar?

Não basta que nos digam que perdoar será bom para nós mesmos, que quem perdoa se torna mais feliz, que não devemos ficar engolindo veneno etc. Forçar-se a perdoar é inútil, pois só aumenta o sofrimento pela violência contra os próprios sentimentos. Se não for verdadeiro, um perdão completo, não vale a pena porque ficarão muitas coisas a serem resolvidas. Perdão é algo impossível de ordenar ao coração; para perdoar precisamos de algo que venha a compensar a nossa dor.  

Uma das formas mais rápidas e eficazes para se perdoar é a vingança. Alguém que se vinga, logo se torna capaz de perdoar. Dizem que a vingança é um prato frio que se come lentamente, ou seja, você se vinga, tira o peso do ódio e talvez perdoe, mas no final restam apenas os mortos, ruínas e cinzas. Esse é o desfecho. Contudo, mesmo que a vingança traga a compensação capaz de gerar o perdão, pode gerar a culpa que é uma forma destrutiva e beligerante para apaziguar o ódio que se sente por quem nos fez algum mal, mas que traz um mal maior ainda. A culpa doi muito mais.

Existe também outra forma pacífica de compensação, basta perceber que o outro se sinta culpado, que reconheça seu erro e venha a pedir perdão. A compensação surge ao perceber que o outro também sofre, que se sente culpado e precisa do perdão para aliviar seu sentimento de culpa. Na verdade também é uma forma velada de vingança, pois a culpa destrói o amor próprio, cria repulsa e faz com que o outro sinta ódio de si mesmo. Quem não sente a culpa, quem não não se odeia por um erro cometido, não merece perdão. Quem não reconhece que errou e não tenta reparar o erro cometido compensando a quem prejudicou, não merece perdão.

Mas somos capazes de perdoar sob algumas condições específicas, ainda que quem nos prejudicou não mereça perdão. Perdoamos quando consideramos que são coisas irrelevantes ou quando o tempo nos faz esquecer da ofensa. Ou perdoamos quando percebemos que nosso algoz está sofrendo pelo mal que nos fez ou quando o outro nos repõe exatamente o que nos tirou. Se não houver uma dessas condições, não há o perdão verdadeiro.

O verdadeiro perdão só existe quando há reconciliação, ou seja, quando se restabelece as mesmas condições anteriores sem nenhum ressentimento, isso significa esquecer completamente a ofensa sofrida. E mesmo que você diga que esqueceu e que não pensa mais na ofensa, no fundo do coração haverá sempre o desejo de que Deus, algo ou alguém venha a cobrar a injustiça a que você foi submetido. Você só perdoa quando há uma reparação, quando há uma resposta efetiva e sirva como uma compensação ou quando há a esperança de que um dia ela aconteça... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Administrando expectativas

 
Quando planejamos ou esperamos por algo ou alguém é natural que tendamos a idealizar tudo em nossa mente em seus mínimos detalhes. Daí surgem as expectativas que significa lidar com probabilidades e possibilidades. 
 
As expectativas são formadas a partir de nossos desejos, fantasias e imaginação, podendo muitas vezes exceder à realidade e adquirir proporções difíceis de serem atendidas, deixando-nos vulneráveis à decepção e frustração. É da natureza humana gerar expectativas, que são influenciadas pelo nível de ansiedade, pelos aspectos psicológicos da personalidade, sentimentos, emoções e experiências anteriores. Por isso é essencial aprender a lidar com as expectativas colocando a razão entre a imaginação e a realidade, pois a imaginação tende a manipular os nossos julgamentos e escolhas. 

Administrar expectativas é uma habilidade que se adquire praticando. Antes de tudo precisamos ser realistas quanto às nossas possibilidades e recursos disponíveis, como também analisar o quanto estamos dispostos a investir de nosso tempo e dinheiro. Tudo na vida tem um preço e com a realidade não se discute, é necessário lidar com ela. É a realidade que nos mostra as escolhas e decisões que nos são mais apropriadas e quais resultados podemos esperar.

Outra questão é quando dependemos de outras pessoas. Muitas vezes achamos que as pessoas nos decepcionam quando, na verdade, somos nós quem criamos expectativas irreais sobre elas e suas atitudes. Por isso não devemos esperar que as pessoas tenham a capacidade de adivinhar o que desejamos e o melhor modo de lidar com isso é sendo explícito, dizendo às pessoas o que se espera delas. E mesmo assim, as expectativas são nossas e as pessoas podem falhar.

As coisas que dependem de outras pessoas e de acontecimentos alheios à nossa vontade estão fora do nosso controle, por isso temos de separar o que depende exclusivamente de nós e o que depende dos outros. Podemos até influenciar as pessoas para que elas possam agir segundo nossas expectativas, mas não podemos controlá-las. É inútil esperar por algo sobre o qual não se tem controle e, quanto maiores forem as nossas expectativas em relação às pessoas ou diante de qualquer situação, maiores serão as chances de nos decepcionarmos.

Deixar a vida ser dirigida por expectativas é fechar os olhos para o mundo e uma vida baseada em excessivas expectativas é irreal e perigosa, que pode deixar marcas profundas de decepção, desilusão, desapontamento e frustração. No entanto, quando estamos atentos à realidade compreendemos que cada pessoa pensa, sente e age de uma forma diferente. Cada um tem seu próprio modo de perceber e compreender as coisas.

Nem sempre as coisas e pessoas são como gostaríamos que fossem, mas à medida que ajustamos as nossas expectativas dentro de um padrão lúcido e flexível estaremos nos colocando dentro do que seja realizável, possível e real. Talvez isso não nos afaste de equívocos, mas com certeza teremos menos chance de sermos surpreendidos pela frustração de nossas expectativas. A ilusão alimenta nossa alma, mas é a realidade que nos permite sobreviver.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Reaprendendo a pensar


Muito se fala da força do pensamento positivo. Que bom se a gente conseguisse ficar rico apenas com a força do pensamento... Que bom se pudéssemos atrair tudo que desejássemos só pensando... 

Em menos de 10 segundos somos capazes de criar em nossa mente qualquer imagem. Quando imaginamos algo, uma avalanche de sinais nervosos ocorrem no cérebro. No córtex, milhares de neurônios são acionados e trocam informações em frações de segundo. Numa incrível velocidade, arquivos de memória são vasculhados para fazer surgir a imagem em nossa mente. Ou seja, é rápido e fácil criar um pensamento, materializá-lo como gostaríamos é outra coisa. 

Milhares de livros de autoajuda afirmam que a nossa vida e realidade são resultados dos nossos pensamentos e, se quisermos mudar o nosso mundo pessoal, basta mudarmos os padrões de nossos pensamentos. No entanto, isso não é tão fácil como alardeam. Não existe passe de mágica. Não adianta achar que nosso cérebro é uma lâmpada mágica que tem um gênio disposto a realizar os nossos desejos. 
 
É certo que quem pensa de forma otimista tem muito mais chances do que os pessimistas, mas só isso não basta. A questão é identificar e mudar os padrões de pensamentos, esquecendo muitas das crenças negativas que absorvemos desde o berço e que foram se acumulando durante toda nossa vida. Isso significa reaprender a pensar a nosso próprio respeito, fortalecer a autoestima, adquirir autoconfiança, confiar na nossa capacidade de superação e agir de acordo com isso. Pensamentos geram sentimentos, que determinam os comportamentos e consequentemente influem os resultados.

De acordo com a neurociência o estado de ânimo pode influenciar o nosso organismo de várias maneiras, ou seja, a ideia de pensar positivo não é absurda mas não temos controle total sobre nosso cérebro nem sobre os processos químicos e celulares que ocorrem nele. Ser otimista inclui também ter atitudes otimistas tal como cuidar mais da saúde, abandonar vícios, controlar o estresse, a alimentação etc. Dessa forma, o corpo adquire uma competência imunológica capaz de provocar uma recuperação do corpo. O coração bate melhor quando mantemos o bom humor e damos largas risadas.

O que ocorre é que pensamentos positivos nos fazem agir de forma positiva, o inverso também é verdade. Tudo que fazemos tem suas consequências. É a motivação que nos faz levantar da cama todos os dias. Quando acordamos motivados e dispostos a trabalhar, nos esforçando para cumprir uma meta e superar dificuldades com bom humor, parece que tudo flui mais fácil. Quando a motivação se junta ao otimismo, gera o combustível que nos dá a energia necessária para realizarmos as coisas durante o dia.

Demanda tempo, aprendizado e treinamento para adquirirmos essas duas atitudes: motivação e otimismo. Para isso temos de superar os nossos medos e carências para acreditar em nossas capacidades, desde que não sejamos imprudentes. Se o pessimismo gera ansiedade e medo do fracasso, é a prudência nos fazem calcular os riscos para não sermos excessivamente autoconfiantes e otimistas demais. Pessimismo e prudência são duas coisas diferentes; a prudência não faz mal a ninguém.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Xô preocupação!...


A vida nunca é um mar de rosas, temos as nossas responsabilidades que já ocupam nossas mentes quase todo tempo. Isso significa que não precisamos ficar mergulhados em preocupações imaginando o que ainda vai acontecer ou tentarmos nos antecipar às tragédias. Podemos nos prevenir, mas preocupar só irá causar sofrimento e afetar a nossa saúde.

Na verdade os pensamentos inquietantes e exagerados quase sempre focam o lado ruim das coisas, nas possibilidades negativas, nos erros, nos fracassos, algo totalmente desnecessário pois o que tiver que acontecer certamente acontecerá independente da preocupação. É comum surgir fatos que nos deixam apreensivos em momentos específicos, o problema é quando se adquire o hábito de preocupar excessivamente com as diversas questões, sendo incapaz de chegar a uma solução.

Pessoas excessivamente preocupadas geralmente são pessoas ansiosas que costumam apresentar sintomas como inquietação, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, perturbações no sono, fadiga etc. Ou seja, a preocupação excessiva tem influencia sobre o corpo, sobre a mente e sobre as atitudes. Isso acaba interferindo na vida da pessoa, desfocando sua atenção do presente para fixar seus pensamentos no futuro. O resultado é que a pessoa termina por imaginar o futuro como algo negativo e ameaçador.

Na verdade uma pessoa ansiosa sente muito medo, só que nesse caso é um medo diferente. O medo considerado normal é uma resposta a um perigo fisico e real e funciona com o objetivo de nos preparar para a fuga. No entanto quando é um medo antecipado, ele nos prepara inutilmente para fugir de algo que nem conhecemos e só existe na nossa imaginação. Isso acaba virando um círculo vicioso pois nem sempre temos controle de tudo o que só faz aumentar a ansiedade e consequentemente o medo. Esse estado de tensão termina por provocar um estado de estresse insuportável.

E por fazerem previsões negativas antecipadas, elas ignoram detalhes e outras informações deixando-as incapazes de lidar com qualquer aspecto negativo. Isso acaba gerando padrões rígidos de perfeição e desenvolvimento de uma extrema necessidade de aprovação, não conseguindo lidar com a incerteza e ambiguidade.
Pessoas ansiosas e que se preocupam demais podem desenvolver outros transtornos psicológicos mais sérios que só um profissional pode avaliar. No entanto podemos nos observar para ver se estamos muito ansiosos e tentar fazer algo a respeito. Praticar relaxamento, exercícios físicos, tomar chás de efeito relaxante podem diminuir a ansiedade, além de avaliarmos se não estamos dando muita importância a coisas pequenas.

Não existe nada pior do que sofrer por antecipação. Se não podemos controlar os fatos, podemos controlar nossa reação perante eles. A preocupação é uma ave que algumas vezes cisma de pousar sobre a cabeça da gente. O importante é não deixar que ela ali faça um ninho. Xô preocupação!...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Errar não é ruim; ruim é repetir os mesmos erros


Ninguém sabe ao certo quantas vezes Thomas Edison tentou acertar no invento da lâmpada incandescente, talvez milhares de vezes. Se ele não tivesse a capacidade de aprender e encarar o erro como uma oportunidade para acertar, não teria inventado a lâmpada. Da mesma forma, podemos tentar acertar várias vezes e ninguém está livre erros. Errar não é ruim; ruim é repetir os mesmos erros. 

A repetição dos erros é um ciclo destrutivo no qual as pessoas se colocam e não conseguem sair até que aprendam como evitá-los. Erros técnicos são mais fáceis de corrigir, o problema é a repetição de erros comportamentais. Aprendizado técnico é fácil; aprendizagem emocional e comportamental é difícil.

Os problemas nas atitudes são difíceis de corrigir porque muitas pessoas não enxergam o que fazem ou não conseguem evitar o erro. Outros preferem colocar-se como vítimas das circunstâncias. Na tentativa de preservar sua autoestima, se defendem colocando a culpa em algo ou alguém e não assumem sua responsabilidade. Em qualquer caso, sempre existe a incapacidade de autocrítica ou de receber críticas.

Embora as pessoas tenham dificuldade em reconhecer os equívocos cometidos, elas precisam ser conscientizadas dos impactos de suas atitudes. Não é fácil reconhecer que as coisas estão indo mal, que um erro foi cometido ou que tudo deveria ter sido feito de outra maneira. Muitos podem pensar que admitir os erros significa admitir o fracasso, porém quando se reconhece que seguiu a direção errada mostrando que está consertando os problemas e mudando de rumo, pode-se ganhar muito mais credibilidade e respeito. 


Dependendo da gravidade do erro e seus impactos, as pessoas merecem uma nova oportunidade, uma segunda chance desde que reconheçam que erraram e se comprometam a corrigir-se. No entanto, há erros que são imperdoáveis e podem até ser fatais para a carreira, para os relacionamentos ou para a própria pessoa. Em todo caso, importante é aprender com os erros e evitar repetí-los.

Todos nós temos capacidade de aprender, mas para isso é preciso boa vontade. Quando alguém não quer aprender é inútil tentar ensinar. Erros recorrentes são próprios de pessoas negligentes e imprudentes. Como diz Paulo Coelho: "Tudo que acontece uma vez poderá nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, certamente acontecerá uma terceira, uma quarta e infinitas vezes". 


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cuidado, pode-se manipular muitos mas nunca todos


Certa vez um caçador contratou um feiticeiro para criar algo que pudesse facilitar suas caçadas na floresta. Depois de alguns dias o feiticeiro lhe entregou uma flauta mágica que, ao ser tocada, enfeitiçava os animais fazendo-os dançar. Entusiasmado com o instrumento, o caçador organizou uma caçada e convidou dois outros amigos.

Logo no primeiro dia de caçada o grupo se deparou com um feroz tigre. De imediato, o caçador pôs-se a tocar a flauta e como uma mágica o tigre começou a dançar. Os caçadores aproveitaram e mataram o tigre. Pouco tempo depois a caravana foi atacada por um leopardo. Contudo, ao som da flauta o animal parou e começou a dançar. Os caçadores não hesitaram e mataram o leopardo. E assim os caçadores seguiram contentes por terem conseguido caçar facilmente os animais ferozes. 

Ao final do dia, surgiu um leão faminto. O caçador tocou a flauta mas o leão não dançou e avançou sobre um de seus amigos. O caçador tocava a flauta mais alto mas o leão continuava a avançar e devorou o segundo. Desesperado, o caçador continuou tocando a flauta até ser devorado pelo animal. Dois macacos, que a tudo assistiam de cima de uma árvore comentaram: Sabíamos que eles iriam se dar mal quando encontrassem o leão surdinho...

Moral da História:
  • Não confie cegamente nos métodos que sempre deram certo, um dia podem falhar. 
  • Tenha sempre planos de contingência para evitar perdas maiores. 
  • Prepare alternativas para as situações imprevistas e de emergência. 
  • Previna-se, pois tudo pode dar errado.  
  • Esteja atento às mudanças e não espere as dificuldades para agir.  
  • E por último: Cuidado com os leões surdos. Pode-se manipular muitos, mas nunca todos!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quem vive do passado é museu


Sabe aquela frase “Quem vive de passado é museu”? Essa é a mais pura verdade. É claro que temos arrependimentos, mas não podemos nos debruçar sobre eles. Certas coisas precisam ficar no passado, outras tantas necessitam ser superadas. Olhar para trás traz o amargo do rancor e nos distancia da esperança; vale mais viver o presente.

A vida de todos nós nem sempre é um mar de rosas. Vida perfeitinha e bonitinha só existe na rede social. Lá todo mundo é feliz, as fotos são cheias de efeitos e o sorriso é constante. Ninguém tira fotos de problemas. Na rede social há zilhões de amigos mas nenhuma intimidade com ninguém, vive-se o que quiser viver mas viver realidade é outra coisa.

A gente tem altos e baixos, isso faz parte do dia a dia. Desesperar nada adianta. Se dá para resolver o problema temos de arregaçar as mangas e tentar dar o nosso melhor. Se não der, paciência. Vida não é sinônimo de complicação, embora algumas vezes tendemos a ver "chifres em cabeça de galinha". Enxergar o que não existe é delírio.

Se o emprego vai mal, arranje outro. Mesmo que ganhe menos, alegria e tranquilidade valem muito mais. Visite as pessoas que gostam realmente de você, faça contato com os velhos amigos que estão distantes. Deixe de lado os fofoqueiros, os maldosos e aqueles que preocupam demais com a vida dos outros metendo o bedelho onde não são chamados.


A vida é feita de encontros e desencontros; com eles aprendemos muito mas não dá para fazer cara de feliz com gente traira, gente safada, falsa e mentirosa. Não nos deixemos enganar, o que não está bom precisa melhorar. Não adianta fingir que tudo está bem, que não doeu, que aceita tudo e que tudo tá legal. Isso não é nada legal. Se doeu tem que falar. Se incomodou tem que explicar. Se tá ruim tem que ajeitar. Se estragou tem que consertar. Não dá pra passar a vida inteira com as coisas entaladas na garganta, feito espinha de peixe que não desce e arranha toda vez que a gente engole. 

Importante mesmo é dar importância ao que realmente tem importância. É fazer as pazes com seus próprios fantasmas e deixar de lado coisas pequenas para viver uma grande história. É limpar as gavetas e a mente das bagunças que não dão lugar ao que é novo. É sorrir para o que nos traz bem estar mesmo que outras pessoas não entendam isso. É viver bem dentro de seu próprio destino, o resto é resto. É pra frente que se anda, passado só fica bem em museu... 


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Promessas de ano novo


Quando chega o princípio de um novo ano temos o costume de fazer uma lista de promessas e sentimo-nos excepcionalmente motivados para alcançarmos metas. Mas quando olhamos para trás vemos que por algum motivo muitas de nossas metas estabelecidas no ano anterior não foram cumpridas. E porque isso acontece?

Promessas são apenas desejos e é um equívoco confundir o desejo com a vontade. O desejo cria expectativas enquanto a vontade está relacionada às atitudes que tomamos em direção ao que queremos realizar; é o que materializa as realizações. Não basta querer, é preciso agir.

E se agimos, também é preciso saber se estamos indo na direção certa. Não adianta fazer promessas encima de atitudes antigas, é preciso analisarmos o que tem dificultado o que queremos realizar, adotar novas atitudes e desenvolver uma nova versão de nós mesmos.

Para desenvolver essa nova competência precisamos compreender que tudo tem etapas, demanda algum tempo para absorvermos novos conhecimentos e esforço para mudarmos; isso inclui começar cuidar mais de nós mesmos, aprender a dizer "não" na hora certa e assim administrar melhor o nosso tempo. Esse pode ser o começo de uma grande viagem de auto-descoberta e o início das conquistas para o Ano Novo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Superstições


Como se não bastasse a idiotice de anunciar o fim do mundo que não aconteceu, agora surge a superstição com o novo ano por ter o final 13.  Embora alguns considerem o 13 como número de sorte, há aqueles que sentem verdadeiros calafrios só de ouvir falar já que consideram o 13 como um número do infortúnio. 

Triscaidecafobia 

Triscaidecafobia é o medo irracional do número 13. Desde a antiguidade o medo é um meio usado para dominar as pessoas. Segundo contam, a superstição em relação ao número 13 é muito antiga em várias culturas. Na mitologia nórdica, conta-se que foram convidados 12 deuses para um banquete, porém Loki que era um espírito do mal e da discórdia compareceu sem ser convidado. Criando uma grande discórdia, o conflito terminou com a morte de Balde, o filho de Odin e o favorito dos deuses.

No Cristianismo citam a Santa Ceia onde aparecem 13 pessoas, entre elas Judas Iscariotes o traidor que entregou Jesus para a crucificação. Diz-se que por isso os conjuntos de jantar contém apenas 12 pratos, 12 copos e 12 talheres, porque convidar 13 pessoas para um jantar é sinal de azar. 

Parascavedecatriafobia 

Parascavedecatriafobia é o medo da sexta-feira-13. Embora infortúnios possam acontecer em qualquer dia, muitos consideram a sexta-feira 13 como um dia de azar. Segundo contam, o dilúvio teria acontecido numa sexta-feira, a morte de Cristo é conhecida como Sexta-feira Santa e muitos marinheiros ingleses nunca partem para o mar numa sexta-feira. Também dizem que foi numa sexta-feira que os membros da Ordem dos Templários foram presos e executados sob acusação de heresia.  

Segundo a mitologia, Friga, a deusa nórdica do amor e da beleza, se transformou em bruxa quando as mulheres alemãs abandonaram seu culto e se converteram ao cristianismo. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio, totalizando os 13 espíritos do mal que mandavam seus feitiços para os humanos. 

E assim essa superstição espalhou-se pela Europa e diversas culturas ainda consideram a sexta-feira como dia de mau agouro. Em Portugal, muitas cidades e vilas fazem uma celebração na Sexta-feira-13 preparando uma poção que eles chamam de Queimada, uma bebida feita com cachaça, açucar queimado e cascas de limão que é consumida durante a festa para obter proteção contra os espíritos do mal. 

Sorte ou azar?

No pensamento mágico e na magia se considera possível produzir resultados que à razão seriam contrários às leis naturais conhecidas. Existem milhares de superstições pelo mundo, passadas de geração em geração, mas a maioria dos supersticiosos sequer conhece a origem destes hábitos sendo que alguns tem significados estranhos e exóticos.  Existem certos tipos de sorte ou azar que não conseguimos comandar, mas existem fatores que podem aumentar nossa propensão a ter mais sorte ou azar, basta que estejamos inclinados a isso.  

O que distingue a superstição é que determinados acontecimentos não encontram explicação na razão e nas leis naturais da ciência, então só poderiam ser obra dos pensamentos, atos e desejos humanos. Portanto, não adianta pular sete ondas e nem comer lentilhas na virada do ano se não houver pensamento positivo, pois sorte ou azar depende muito mais do que pensamos, das nossas crenças e como encaramos as situações. 


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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