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sábado, 20 de abril de 2024

Longe é um lugar que não existe

 


Entre tantos de Richard Bach, há um em especial chamado "Longe É Um Lugar Que Não Existe". O texto fala sobre amor e a amizade, mostrando que o aprendizado é uma jornada capaz de levar aonde o desejo quiser, ao encontro do que e de quem desejar.

Intercalando cada página da história, esse livro nos convida para um passeio descompromissado e surpreendente, onde cada página ajuda a desvendar uma parte do mistério chamado vida, observando que o amor transcende tempo e espaço...

                             

Longe é um lugar que não existe


Essa estória começa após receber um convite para o aniversário de uma garota chamada Rae. - Rae, obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário. Sua casa fica a quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões.  

Uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar a seu lado. Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. 

Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.

Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse: — Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar indo a uma festa.

— Claro que estou indo à festa. — respondi. — O que há de tão difícil de se compreender nisso? Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja: — Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?...


Falei para a coruja: — A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente.  

Parecia estranho dizer "indo" depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse. 

Ela voou em silêncio pôr um longo tempo. Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia: 

— Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de pequena. — Claro que ela é pequena, porque não é crescida — respondi. O que há de tão difícil de se compreender nisso? A Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:— Pense a respeito...


- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente, falei para Águia.

Parecia estranho falar agora "indo" e "pequena", depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que Águia compreendesse.

Voamos juntos sobre os ventos das montanhas. E Águia finalmente disse: — Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra aniversário.

— Claro que é aniversário. — respondi. — Vamos comemorar a hora que a vida de Rae começou e antes da qual ela não existia. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

a Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto. — Um tempo antes da vida de Rae começar? Não acha que a vida dela começou antes que o tempo existisse?...


— A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. — falei para Gavião.

Parecia estranho falar "indo", "pequena" e "aniversário", depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.

O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse: — Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é crescendo.

— Claro que ela está crescendo — respondi. — Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso? O Gavião pousou finalmente numa praia deserta. — Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer... 


Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo: 

— Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?

Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas, pousou suavemente em seu telhado e disse: 

— Porque o importante é você saber a verdade. Até saber e até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira...




- Rae,  agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você. É um anel para você usar. 

Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado de você por ninguém e não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.

O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar voo nas asas de todos os pássaros. Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa por suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. 

Pode permanecer no céu por tanto tempo quanto quiser: através da noite ou pelo nascer do sol. E quando sentir vontade de descer, suas perguntas terão respostas e suas preocupações terão acabado.

Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa. A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa. 

Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.

E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.

- Rae, este é o último dia especial de comemoração,  A cada ano estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros. 

  • Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você.
  • Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.
  • Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca haverá de morrer.
  • Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são invisíveis aos olhos. 
  • Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade. É o caso do anel.

Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não poderá jamais terminar"...


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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