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sexta-feira, 19 de maio de 2017

A língua é como fogo...




Hoje eu quero convidar a todos para refletirmos sobre a famigerada maledicência. Conhecida popularmente como fofoca, esse é um dos problemas interpessoais e relacionais mais antigos que se tem conhecimento. É uma postura antiética e irresponsável, pois quando não se tem prudência nas conversas pode-se promover consequências funestas ou mesmo desagradáveis.

A fofoca existe desde que o homem desenvolveu a linguagem, provavelmente no paleolítico. Sendo assim, o processo de comunicação não é só uma inclinação natural do ser humano, mas faz parte da sua natureza intrínseca. Mas porque as pessoas fazem fofocas? Entende-se por fofocas os comentários maliciosos, mas também as delações de ações alheias, sejam verídicas ou não e pode ter origem em diversos motivos:

  • porque queremos ser aceitos por alguém ou por um grupo
  • porque queremos chamar atenção dos outros
  • por ciúme, por falsidade, por inveja,
  • para nos safarmos de punições devido a nossos erros
  • por vingança gerando intrigas, conflitos e discórdia ou 
  • porque, devido à excessiva ambição, desejamos ter lucros...

Há pessoas que fazem maledicências porque estão insatisfeitas, com baixa autoestima, sem propósitos de vida ou quando abrem espaço para sentimentos como a inveja e o ressentimento ao perceberem que a vida do outro é mais interessante. Na verdade quem observa demais a vida do outro, acaba esquecendo de sua própria vida.

A fofoca tem também outro ponto negativo: torna qualquer ambiente hostil, seja na vida pessoal ou social, pois ela fere o direito das pessoas, trazendo consequências negativas, algumas vezes irreparáveis. Nunca esqueça: uma pequena faísca pode iniciar um incêndio e destruir uma floresta inteira...  




Todo mundo sabe como uma fofoca começa. Tal qual na brincadeira do telefone sem fio, fatos são aumentados com sedimentações de informações adicionais e distorções. No final de tudo, ninguém sabe como se chegou a uma estória totalmente diferente e cheia de criatividade. Muito menos se sabe quem disse, quem inventou e propagou.

A fofoca não tem identidade, mas certamente prejudica outras pessoas que tem sua imagem manchada, sendo difícil contornar a situação ou até mesmo revertê-la. A história nos conta tantos exemplos de personalidades incompreendidas, que foram executadas sem terem sequer o direito de se defenderem de acusações infundadas.

Então, para que se envolver em situações infrutíferas ou danosas? Por que essas pessoas fofoqueiras não aproveitam seu tempo com algo que traga benefícios para si e para os outros? Quem está consciente de suas posturas e valores, se posiciona como uma pessoa de bem e para o bem, semeia sempre a concórdia e a paz tornando-se instrumento de crescimento e bem-estar comum. Para este fim, precisamos filtrar os boatos e as informações que nos chegam.

E como lidar com as fofocas? Não interagindo com os fofoqueiros, principalmente com aqueles de má índole. Se assim o fizermos estaremos nos abstendo de julgamentos precipitados, de antipatias infundadas e das aversões interpessoais sem critérios: porque os outros disseram, porque o outro fez isto ou aquilo. O “disse-me-disse” nunca leva a nada de bom.

Somos dotados de linguagem e esta obviamente nos permite estar sempre em comunicação, em interação, em socialização, em troca de informações, tendo como objetivo facilitar a nossa vida. Mas, até que ponto esta comunicação ultrapassa os limites da ética e do relacionamento saudável com os demais, chegando mesmo a desrespeitar os limites da integridade e da moralidade nos nossos relacionamentos?




Sócrates, o famoso filósofo grego, explicitou com um amigo em um diálogo, como podemos lidar de maneira inteligente com a maledicência. Neste discurso ele explica que toda e qualquer informação que nos chega deve passar criteriosamente pelos filtros da VERDADE, BONDADE E UTILIDADE, para que desta forma possa ser propagada. Em outras palavras, a informação a ser passada adiante para outras pessoas deve:

  • Ser absolutamente um fato verídico
  • Não conter alterações ou deturpações
  • Não ser interpretações subjetivas da realidade.
  • Deve ter como objetivo precípuo um ato de bondade
  • Deve ter o propósito de ajudar e servir o próximo
  • Não deve almejar prejudicar ou manchar a imagem de pessoas, grupos, sociedades ou organizações.
  • E por último, que seja sempre uma informação obrigatoriamente útil para favorecer as pessoas e a comunidade.

Para que inventar mentiras? Há tantas ideias, propósitos e questões para serem discutidas. Então para que discutir sobre o comportamento das pessoas, opinar sobre a vida delas sem ter consentimento das mesmas e sem acrescentar nada que as beneficiem. O mundo necessita de pensadores, de questionadores, de avaliadores, de pessoas que façam a diferença, que se preocupem com coisas essenciais, que promovam mudanças e que se preocupem com os outros de forma positiva e responsável...


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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