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quarta-feira, 26 de março de 2014

Dependência emocional

 
A educação na infância tem papel fundamental na constituição de adultos seguros, confiantes e emocionalmente independentes. É na infância que somos preparados para vivermos livres e termos a opção de escolher com quem vamos compartilhar nossa vida. A maneira como fomos criados na infância é fundamental para que possamos nos desenvolver psicologicamente saudáveis.
 
Pais negligentes ou exigentes
 
É fato que os pais amam seus filhos, mas muitas vezes com a intenção de acertar, supervalorizam o que eles fazem de errado e muitas vezes desprezam as vitórias e as conquistas obtidas pelos filhos. Existem pais que culpam, desprezam, humilham e que não respeitam os sentimentos de seus filhos. Além disso, as crianças sofrem influência  pelo contato com os avós, parentes mais íntimos, professores e cuidadores. O que eles dizem, permanecem na mente.  
 
Quando uma criança cresce sentindo que não é digna de ser admirada, amada e querida, ela passa a omitir seus sentimentos e não considerá-los importantes.  Por se sentir assim, torna-se um adulto emocionalmente dependente do amor de outra pessoa. Daí sente uma desesperada necessidade de se sentir amada, querida, aprovada, admirada e importante, já que não viveu isso em sua infância.
 
Pais superprotetores
 
Também se torna um adulto dependente de amor a criança que é excessivamente protegida e mimada na infância. É muito comum encontrar pais que excedem na atenção dedicada ao filho e satisfazem todas as suas vontades, muitas vezes como uma forma de compensar sua frequente ausência no papel de pai ou mãe.
 
Muitos protegem demais pelo medo de que o filho cresça e os deixem sozinhos. Assim induzem o filho a acreditar que só debaixo de suas asas estará seguro. Existem pais que se tornam tão permissivos com os filhos, que mesmo depois que eles crescem continuam pagando todas as contas do filho, cedem coisas materiais sem limites e não incentivam o filho a trabalhar para ganhar seu próprio sustento.
 
É dever dos pais cuidar dos filhos, mas desde cedo estimula-los a adquirir autonomia e autoconfiança. Filhos que não precisam fazer muito esforço para conquistar as coisas por si mesmos, acabam sendo levados a um mundo de fantasias que na realidade não existe. E podem sentir dificuldade de serem independentes, porque foram acostumados a ter seus pais suprindo todas as suas necessidades.
 
Criança x Adulto
 
Pais que demonstram amor e confiança nos filhos contribuem para que eles se tornem adultos com uma boa autoestima, seguros de si e pouco dependentes da aprovação dos outros. Tanto a falta de demonstração de amor como a superproteção exagerada são igualmente negativas. A criança que não sente que é amada, pode se tornar insegura em relação ao amor dos outros, pois cresce com a crença que não será amada nas relações futuras no decorrer de sua vida.
 
A criança precisa se sentir valorizada e amada para acreditar em si mesma e na sua capacidade de se nutrir principalmente emocionalmente. Só assim se torna uma adulta completa e não espera encontrar sua "alma gêmea", alguém que venha completa-la. Ela aprende a caminhar com suas próprias pernas e acredita ser capaz de fazer qualquer coisa sozinha. Ela adquire segurança para seguir sua vida fazendo suas próprias escolhas e assumir as devidas consequências.
 
Amor ou dependência emocional?
 
É verdade que no mundo ninguém pode viver sozinho e isolado de todos. Sempre precisaremos de alguma proteção, de apoio e da ajuda de outras pessoas. Mas existem pessoas adultas que se tornam dependentes dos outros para tudo. Elas são constantemente afligidas pela dúvida, pela indecisão e precisam dos outros como alguém que venham salva-las de situações e impedir frustrações. São pessoas que sofrem de dependência emocional e acabam se envolvendo em relações sofridas e destrutivas.
 
Por se sentirem incapazes de cuidar de si mesmas, sentem-se desamparadas e inseguras quando estão sozinhas. Esse é um passo para se tornarem submissas, inseguras e terem uma percepção muito frágil de si mesmas. Ao demonstrarem ações e sentimentos de fragilidade e carência, essas pessoas não percebem como isso afeta os seus relacionamentos, sejam relações amorosas quanto relacionamentos entre amigos, colegas de trabalho e no convívio em geral com outras pessoas.
 
Isso se torna mais grave, quando uma pessoa dependente muitas vezes aceita qualquer tipo de relacionamento e se entrega como se fosse um objeto para seu parceiro/parceira. Ela não acredita em seu próprio valor, no seu poder de fazer escolhas e na sua capacidade de conquistar alguém. Sente medo de se aproximar dos outros e de ser rejeitada. Por isso não seleciona com quem quer estar, mas costuma ficar com a primeira pessoa que demonstra um mínimo interesse. Muitas vezes aceita relações destrutivas como um prêmio de recompensa.
 
Em muitos relacionamentos é comum encontrar pessoas que pensam que amam e nem percebem que, na verdade, são dependentes do amor e do outro. A pessoa estrutura a sua vida em torno da vida do parceiro ou da parceira e não consegue imaginar sua própria existência sozinha. Sua dependência emocional se assemelha com as pessoas que são dependentes de álcool, drogas, sexo ou compulsão alimentar. 
 
Por medo de ser abandonada, muitas vezes a pessoa tolera abusos sexuais, verbais, físicos, entre outros. E quando encontra alguém que percebe sua fragilidade, acaba se tornando um ser humano sem vontade própria; como se fosse um marionete que pode ser manipulado para qualquer direção. A pessoa anula-se de tal forma que perde sua identidade e acaba exigindo que o outro tenha o mesmo empenho e na mesma proporção. E quando não recebe esse retorno afetivo, revolta-se pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de odiar tanto aos outros quanto a si mesma porque fica com o sentimento: "Eu dei tudo de mim"...
 
Também sente dificuldade em expressar seus sentimentos por medo de se sentir vulnerável. E quando o relacionamento chega ao fim, a pessoa dependente tende a procurar desesperadamente outra para dar início a um novo ciclo para suprir sua carência e seu sentimento de abandono. O fato é que muitos adultos não amadurecem e permanecem como se fossem crianças por toda a vida. Elas não percebem que o ser humano se torna afetivamente maduro no momento em que está junto de outra pessoa porque ama e não porque necessita do outro. Não apenas recebe, mas abastece sua relação em trocas. Esse é um amor verdadeiro.
 
Transtorno da Personalidade Dependente
 
O Transtorno da Personalidade Dependente é um padrão de comportamento submisso e aderente, relacionado a uma necessidade excessiva de proteção e cuidados. A pessoa tem dificuldade em tomar decisões sozinha, fato que a leva a uma excessiva necessidade em pedir opiniões alheias para resolver situações da vida cotidiana. Chega até mesmo a apresentar o seu problema e esperar que os outros tragam soluções prontas, sem que seja necessária sua participação.
 
Às vezes tende a responsabilizar outras pessoas por suas ações, podendo culpar seus pais e outros pelo seu modo de ser.  São pessoas que apresentam baixa autoestima, se autodepreciam e magoam-se facilmente com as opiniões alheias. Por necessitar de constante aprovação, aceitação e reconhecimento dos outros para lidar com as situações da vida, evita discordar dos outros porque tem medo de perder o apoio dos outros. 
 
É uma pessoa que não acredita ser capaz de viver e fazer qualquer coisa sozinha, precisando de constante supervisão para realizar as coisas. Isso acontece porque precisa que alguém lhe dê garantia de que as coisas vão dar certo. Por isso não consegue iniciar projetos ou fazer coisas de forma independente. Sente-se incapaz de agir adequadamente sem o auxílio de outras pessoas e recorre frequentemente aos outros para ser orientada, ajudada e direcionada, sendo que tudo isto surge da necessidade de satisfazer suas necessidades internas e não pelo desejo de estar na companhia da outra pessoa.
 
Superação da dependência emocional 
 
Não importa a infância que você teve; importa é o que você pode se tornar agora. Não adianta culpar os outros; as soluções de nossos problemas moram dentro de nós mesmos. O processo de autoconhecimento é o primeiro passo para reduzir ou superar a dependência emocional, que pode ser feito junto com um psicólogo. A psicoterapia é eficaz porque auxilia a pessoa a expressar seus sentimentos e suas necessidades de forma mais adequada. Mas também pode ocorrer através da mudança das próprias atitudes perante a vida.
 
O mais importante nesse processo é fortalecer sua autoestima. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, aprendem a cuidar de suas próprias feridas emocionais. E quando nos amamos, procuramos pessoas que nos valorizem e respeitam pelo que somos. Outro passo importante é buscar ser mais independente, manter-se com seu próprio esforço e assim ter mais segurança em suas próprias decisões. 
 
Recupere um espaço pessoal ou profissional sobre o qual tenha poder de administração. Reflita sobre as coisas prazerosas que deixou de fazer para se dedicar ao relacionamento. Reúna-se com seus amigos e permita que o outro também esteja com os amigos dele. Isso permite trocar ideias com outras pessoas. Quando fazemos coisas que gostamos e permitimos que o parceiro/parceira também faça algo que goste, cria-se uma relação mais saudável e comprometida.
 
Também diga o que pensa e procure conhecer o pensamento do outro. Através das diferenças também se constrói e consolida um relacionamento. Interromper o ciclo de dependência emocional significa assumir responsabilidade por si, tomar conta da própria vida e assim estar disponível para amar verdadeiramente. Aprove-se mais, aplauda suas conquistas e dependa especialmente de você! 
 

terça-feira, 18 de março de 2014

Imaturidade

 
 


É próprio do ser humano nascer, crescer e envelhecer. E à medida que cresce a pessoa vai formando sua personalidade, que é a soma dos padrões de seus potenciais e conduta determinados por sua herança genética, pelo ambiente onde vive e pelas experiências de vida. Essa é a marca que distingue as pessoas, que é moldada pelo comportamento diante das situações da vida.
 
Nesse movimento dinâmico a pessoa adquire maturidade, enquanto aprende e descobre mais a respeito de si mesma. Faz parte da maturidade ter responsabilidade, que vem do latim "respondere" e significa responder e comprometer com a realidade. Estar na realidade é ter consciência das próprias circunstâncias imediatas – o aqui e o agora - que irá moldar o futuro.
 
Sabemos que não podemos viver no improviso, que é preciso no mínimo uma certa organização e um esquema para o futuro, que inclui temas como amor, trabalho e cultura. Daí surgem os nossos projetos de vida: estudar, adquirir conhecimento, amar, casar, ter filhos, trabalhar para se sustentar e adquirir patrimônio, não necessariamente nessa ordem.
 
O conhecimento dessas realidades é como uma carta de navegação que ajuda a guiar-nos para uma vida adequada, em harmonia com os outros e com nós mesmos. Porém há pessoas que tem dificuldade em amadurecer. São pessoas que demonstram uma defasagem entre a sua idade cronológica e sua idade mental, que desconhecem a si mesmas, não reconhecem suas limitações e agem com pouca ou nenhuma responsabilidade. E quem nunca se deparou com alguém assim???
 
O que se nota é que a pessoa imatura não assume nenhum projeto de vida com seriedade e não se compromete. É a pessoa que vive em desarmonia consigo mesma. Devido à sua imaturidade, seus sentimentos são como um pêndulo que vai de um ponto a outro rapidamente. Com essa variação de sentimentos e oscilações de ânimo e humor, ninguém nunca sabe o que pode esperar dela.
 
Uma de suas características é a incapacidade de estabelecer relações afetivas satisfatórias. Ela apaixona e desapaixona com muita facilidade, porque não tem paciência para construir um relacionamento a cada dia. E isso acarreta outras consequências. Devido à sua tendência a refugiar-se num mundo fantástico para escapar da realidade, ela tem baixa tolerância às frustrações, não renuncia a nada e é incapaz de superar as adversidades.
 
Também tem pouca educação da vontade e não está disposta à luta constante. Pode até iniciar um projeto, mas desfaz sua intenção diante das primeiras dificuldades e abandona tudo para dar início a uma nova empreitada. Nisso está incluído seu emprego, relacionamentos e outros projetos. E se não abandona, costuma estabelecer relacionamentos duplos e tem pouco comprometimento com seus deveres e obrigações. 
  
Ela é a imagem da criança mimada, paparicada e malcriada, que só se entrega ao prazer de um momento. Nunca superará as suas próprias possibilidades, porque não está direcionada para as exigências sérias da vida e só deseja seguir seus impulsos imediatos. Por isso é volúvel, inconstante, frívola, superficial nos assuntos e leviana com tudo e com todos. Falta-lhe sobretudo inteligência. 
 
Uma pessoa inteligente sabe focar num assunto, raciocinar e fazer juízos adequados sobre a realidade. Dessa forma torna-se capaz de formular um conjunto de soluções exequíveis e positivas para problemas concretos. Na linguagem mais moderna da psicologia cognitiva: inteligência é saber receber a informação, codifica-la e ordená-la corretamente a fim de oferecer respostas válidas, coerentes e eficazes.
 
Para a pessoa imatura, falta visão e planejamento do futuro. Por valorizar apenas o presente, não consegue medir as consequências de seus atos, tem sérias dificuldades em racionalizar os fatos e não é justa em suas análises. Além de sua incapacidade de propor-se a objetivos concretos, ela não tem moral suficiente. Seus critérios morais e éticos são instáveis e não se preocupa em viver com dignidade. Não sabe usar corretamente a liberdade e o relativismo pauta sua vida.
 
Com sua extrema permissividade, falta-lhe espírito crítico. É o tipo de pessoa que segue o vaivém da moda, das novidades e das suas próprias verdades, que cria apenas para atender aos seus desejos e justificar sua leviandade. Ter qualquer relacionamento com pessoas imaturas, seja profissional, social ou afetivo, é no mínimo perigoso. Se compararmos a vida como uma viagem, podemos dizer que essas pessoas imaturas embarcaram apenas para viver como se a vida fosse um passeio: não sabem de onde estão vindo e nem onde querem chegar, podendo levar junto quem com elas tiver o azar de estar...

 
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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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