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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Haja paciência de Jó



Todos nós sabemos a importância de termos paciência no nosso dia-a-dia, pois não podemos dar vazão às nossas explosões emocionais, sob pena de destruirmos os nossos relacionamentos e até nos colocarmos em más situações. Mas às vezes surgem situações em que desabafamos: “Haja paciência de Jó”. E quem foi Jó?

Jó foi uma figura bíblica do Antigo Testamento que teria vivido na terra de Uz, atualmente terras do Iraque. Ele era muito rico e tinha uma grande família, sendo considerado o maior homem entre todos do Oriente. Porém certo dia quando uma multidão se reuniu diante de Deus, Satanás disse que Jó tinha fé somente porque vivia em prosperidade.

Para provar a fé de Jó, em um único dia sua casa foi destruída, suas plantações foram aquiniladas, seus rebanhos e sua família foram dizimados. No entanto Jó disse: Deus tudo me deu e tudo me tirou. Bendito seja o nome do Senhor. Jó se dispôs a reconstruir sua vida, mas lhe surgiu uma doença deixando-o com inúmeras feridas pelo corpo.

Naquela época as doenças eram vistas como um castigo para quem tivesse feito algo de mal. Os amigos de Jó o acusaram e julgaram que tanta tragédia só poderia resultar de um castigo e o abandonaram. Mas Jó decidiu lutar para provar sua inocência. Pacientemente Jó sofria, mas buscava se reconstruir enfrentando todas as dificuldades.

Finalmente Deus apareceu e mudou a situação de Jó devolvendo-lhe em dobro tudo quanto antes possuía, inclusive sua família junto da qual viveu mais de uma centena de anos. Jó venceu por sua paciência, persistência, força de vontade e fé em dias melhores... 

O que se conclui da história de Jó?


Há muitas conclusões, mas principalmente as reações de Jó diante dos acontecimentos. Hoje vivemos na era moderna em que tudo se desenvolve mais rápido, os meios de comunicação são mais velozes e nosso cotidiano flui com mais facilidade. No entanto, estamos perdendo a habilidade de lidar com o nosso tempo interno.

Estamos nos viciando na pressa e sendo dominados pela impaciência. Queremos que nosso mundo interno, nossas emoções, sentimentos e percepções, fluam com a mesma velocidade máxima da internet. Nos desesperamos quando as coisas não funcionam de acordo com as nossas expectativas. Estamos sendo subjugados pelo imediatismo e pela ansiedade de nos livrarmos rapidamente dos sentimentos de frustração.

Como não toleramos esperar o tempo natural do amadurecimento de nossas emoções, sofremos a dor da impaciência e a ansiedade que nos queima por dentro. Não damos o devido tempo para sentir, digerir, compreender e transformar nossas emoções. Temos pressa de resolver tudo prontamente, esquecendo que tudo tem seu devido tempo. Não damos tempo ao tempo.





Aprenda a cultivar a paciência

Dentre as sete virtudes, a mais difícil de desenvolver é a paciência. Porém é possível aprender praticando-a nos diversos momentos de nossa vida, seja no trabalho, na escola, na convivência familiar, no transito, na fila do banco etc. Ser paciente é ser educado, ser humanizado, ter caridade e compreensão com o próximo, agindo com calma e com tolerância.  Cultivar a paciência significa estar acima da negatividade. 

E, para saber se estamos praticando verdadeiramente a paciência, basta observarmos como estamos lidando com os outros; qual tem sido o impacto de nosso comportamento e nossas palavras sobre as demais pessoas. Da mesma forma, nos machucamos menos quando respeitamos a nossa necessidade natural de ter tempo e espaço para estar com nossas emoções, sejam elas positivas ou negativas.

Autocontrole advém do autoconhecimento. E quanto mais reconhecemos e respeitamos os nossos limites, mais nos sentiremos capazes de manter o autocontrole, porque não vamos além do que podemos aguentar. Isso não quer dizer que iremos explodir e nem nos tornar covardes. Ao contrário, é por meio da paciência que conseguimos desenvolver uma auto-imagem firme e segura, sem precisar lutar contra o mundo.

A tolerância e a paciência são fontes de apoio seguro, que nos dá clareza de pensamento para decidirmos. Essas são duas virtudes que nos permitem manter controle emocional, não nos deixando contaminar pela raiva ou pela revolta quando as coisas fogem ao nosso controle. Com paciência conseguimos tolerar erros e fatos que não desejamos, compreendendo que nem tudo se desenrola como e quando queremos ou planejamos. Lembremos da paciência de Jó...





Autocontrole saudável

O autocontrole saudável não reprime os sentimentos: lida diretamente com eles. Suportar uma dificuldade significa criar um espaço para si, libertar-se da ansiedade para esperar o momento certo de agir. Certamente lidamos com pessoas difíceis, mas quando pensarmos que precisamos de paciência para lidar com alguém, o melhor é distanciar-nos e criarmos um espaço entre nós e essa outra pessoa, para assim podermos recuperar nossa autonomia emocional.

Isso não significa sermos covardes e submissos. Não se deve confundir autocontrole com a repressão de sentimentos, muitas vezes tolerando o que não é para ser tolerado. Em certas situações adversas, podemos pensar que estamos tendo paciência, quando na verdade estamos apenas nos sobrecarregando, suportando as pressões externas à custa de muito sofrimento interno. Paciência não deve ser confundida com tolerância extrema, nem estar vulnerável ou permissivo às condições externas. 

O autocontrole excessivo nega as nossas necessidades internas e faz nascer o rancor devido à raiva reprimida, à emoção contida e à falta de reação a uma provocação. Ser paciente não significa ser uma vítima passiva da desorganização alheia. Não é útil, por exemplo, ter paciência em uma situação em que se esteja sendo explorado. Quem nunca se confundiu achando que estava tendo paciência, quando na realidade estava "engolindo sapos"? 



domingo, 11 de agosto de 2013

Dificuldade em impor limites




Como é difícil impor limites! Quantas vêzes nos sobrecarregamos de compromissos para atender exclusivamente aos interesses dos outros? Quantas vêzes costumamos engolir calados as exigências de parceiros, filhos, família além das cobranças dos nossos chefes no trabalho? Quantas vêzes suportamos o vizinho que nos incomoda, o colega de trabalho que nos empurra suas tarefas e aquele amigo ou amiga que não perde uma oportunidade de tirar algum proveito? Pois saiba que reverter esse processo depende exclusivamente de você.

Essa falta de critérios estando sempre à disposição dos outros, deixando-se explorar e concordando com todos tem um nome: dificuldade em impor limites. Esse é o sintoma típico de quem não presta atenção em si, porque impor limites é um atestado de individualidade. Impor limites significa respeitar e não extrapolar os limites de sua resistência. E quanto mais tempo se demora para impor limites, mais tempo levará para aprender.

Você pode ter passado longos anos de sua vida concordando com todo mundo e por fim você nem sabe mais do que você gosta de verdade e nem o que você quer da sua vida. Você nem reconhece mais as suas próprias necessidades, por isso torna-se complicado negar exigências externas. Você se tornou tão disponível para os outros, que já nem se disponibiliza para si mesmo.

Por não conseguir se impor, com o tempo a insegurança vai tomando conta e você vai entrando em um quadro de menos-valia. E, para compensar essa fraca auto-estima, você tenta se superar o tempo criando uma mania de perfeccionismo. E cada vez que você não se impõe, mais aumenta a sua auto-exigência. Muitas vezes o desgaste emocional que você enfrenta passa despercebido e você cria resistência para lidar com situações inesperadas.

Para perceber se você tem dificuldade em impor limites basta analisar sua vida, preferencialmente distante de todas as situações estressantes, ou seja, longe de amigos, vizinhos, família, trabalho etc. Pergunte-se porque você é tão disponível? O que você ganha e o que você perde ao tomar atitudes que ultrapassem seus limites?

Aprender a impor limites é algo difícil e requer aprendizagem. A princípio as pessoas podem achar estranho seu novo comportamento e podem até exigir atenção tentando despertar seu sentimento de culpa. Porém, aprenda a dizer "Não" quando não puder atender a outros. Não gostou de uma atitude ou de uma conversa, diga na hora: não gostei! Defenda seu espaço. Você tem esse direito...

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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