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quarta-feira, 30 de março de 2011

Não dê o peixe, ensine a pescar





" Não dê o peixe, ensine a pescar "

Você estuda, investe em livros, tem despesas com material escolar e mensalidades de faculdade. Se forma e trabalha 10 a 12 horas por dia para progredir na carreira ou porque sua profissão exige. Enquanto isso, abdica de divertimentos, convívio social e familiar, compromete sua saúde física e mental, adquire cansaço e stress. Em troca, após alguns anos você consegue o melhor, se estabiliza na vida e garante sua sobrevivência com seus próprios méritos e esforços.

Você age diferente de muitos sangue-sugas que vivem por aí às custas dos outros: exploram ou se apropriam do que não lhes pertence. Há pessoas que se comportam de forma passivo-agressiva. Ao invés de lutar para melhorar sua própria situação, agem como se você fosse um vilão por ser bem sucedido, como se isso fosse uma coisa errada, uma falta de caráter, como se estivesse aproveitando do restante do mundo. Agem como se você tivesse acordado em um belo dia pela manhã e tivesse acontecido uma mágica, você com seu emprego, seu salário, seu carro, sua casa etc. E ainda tentam fazer com que você se sinta culpada.

A hipocrisia alardea: "ajudar é nossa responsabilidade" e "fazer caridade é nossa obrigação". Isso parece que você deva carregar a culpa por ter estudado, por se esforçar, por trabalhar, por ter seu dinheiro e os outros não. Pois digo: eu não me sinto obrigada a fazer caridade para ninguém; ajudo sim: quando quero, quando posso e acho justo.

Não acho que tenho obrigação de dar nada de graça a ninguém; tudo que é dado fácil vicia. A maioria das pessoas, por se sentirem culpadas do próprio sucesso, preferem ajudar incondicionalmente sem perceber que estão destruindo a capacidade de reação do ser humano perante as dificuldades da vida.

Os próprios especialistas,
sociólogos, psicólogos dizem: "dar" não é a melhor solução e isso é mais do que óbvio, cria um ciclo vicioso. Se você dá esmola a uma criança que está mendigando num sinal de trânsito, você está ajudando a conseguir algum dinheiro para garantir o sustento da família. Mas você também está contribuindo para que ela não vá à escola e fique o dia inteiro na rua sujeita à influência da violência, drogas etc...

Se um garoto consegue 700 reais por mês em esmolas, logicamente não vai querer passar 15 anos na escola para, no fim de tudo, arranjar um emprego que paga um salário mínimo. E é até inteligente da parte dele pensar assim. O problema é que quando crescer e não for mais uma criancinha magrinha e indefesa, vai continuar a pedir esmola e você mesmo vai pensar: "um homem desse tamanho, por que não vai trabalhar?".

E sabe porque? Porque você impediu que ele tivesse sonhos, que fosse estudar e lutar pela vida. Uma pessoa que não estuda, além de não aprender a ler e escrever, não adquire conhecimento da vida, não adquire a cultura de aprender. O que ela aprende é apenas perambular pela rua que é muito mais vantajoso e lucrativo. E quando ela não conseguir esmolas, ela vai roubar. Quem dá esmolas às crianças, está criando marginais. Quem muito ajuda, indiscriminadamente, está gerando um algoz, para si, para os outros e para o mundo.

Toda pessoa precisa da
consciência de estudar, trabalhar, ser produtiva, gerar riqueza, contribuir de alguma forma para o progresso de si e do mundo. É isso que todos nós temos a responsabilidade de fazer. Se uma pessoa prefere dormir até as 2 horas da tarde, ir a festas todas as noites, beber até cair ao invés de aprender uma profissão, sua condição de penúria é fruto da irresponsabilidade dela.

A tendência humana é conseguir as coisas de modo mais fácil: viver às custas do governo e receber ajuda da sociedade. Mas se todos pensassem assim, o que seria do mundo? Na verdade existe o sofrimento, a dor, a penúria, a doença, por motivos alheios à vontade do indivíduo. Mas até nisso, há de se buscar a força necessária para ultrapassá-los.

O maior perigo é a inconsequência e passividade. Se esforçar e alcançar os objetivos é difícil? É! Mas por que há pessoas que conseguem mesmo com todas essas dificuldades? É difícil para todo mundo e cada um deve suportar o seu próprio fardo e não achar que os outros são obrigados a carregar o próprio fardo e de mais alguém.


" Caridade é ajudar aos outros a se levantar;
não é carregar os outros nas costas."

Muitos não estudam porque tem preguiça. Não aceitam um emprego porque não querem trabalhar no final de semana
ou à noite. Não querem se subordinar a horários, normas e diretrizes de uma empresa. E quando se animam a buscar um emprego querem ganhar um salário igual a quem estudou durante uma vida inteira. Querem se equiparar aos outros em salário, mas não se equiparam em conhecimento.

E falando em equiparação, se essas pessoas não trabalham elas não geram impostos que seriam utilizados para melhorar as condições de saúde, saneamento, segurança pública e educação em sua cidade e em seu país. Se poucos contribuem, pouco haverá para todos. Há dois modos de dizer as coisas: um é a ideia de não desagradar ou chocar ninguém. Outro é dizer, desassombradamente, o que pensa, dê onde der, haja o que houver. Não dê o peixe, ensine a pescar... dizem os sábios!


Um comentário:

Giselle Costa disse...

Sei que é uma postagem antiga, mas quero dizer que amei seu texto. Pesquisei na net sobre a frase "não dê o peixe, ensine a pescar", e então apareceu seu blog. Parabéns pela crítica!

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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