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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bondade com limites





A maioria das pessoas são criadas com uma falsa concepção de bondade em que devem aceitar tudo, ser boazinhas para então serem amadas, admiradas e aprovadas na expectativa de receber elogios. E se durante a infância são muito criticadas ou rejeitadas, por não corresponderem às expectativas dos adultos crescem acreditando que são inadequadas e insuficientes para produzir algo de bom.

E, por acreditar que não são boas o suficiente, vão se submetendo a tarefas e imposições frequentes na tentativa de convencer a si mesmas da sua bondade. Se consideram indignas de prazer e de felicidade como uma forma de castigar a si mesmas, sentindo-se até mesmo desconfortável com suas conquistas porque acham que não a merecem.

Assim podem criar vínculos destrutivos ao se submeterem aos outros, repetindo continuamente sua história de infância. É preciso muita forçade vontade e conscientização para sair desse ciclo negativo, recriando e partindo para um novo começo, tornando-se responsável por sua própria vida. Sem abrir espaço para culpas e desculpas, nem quanto ao passado e nem quanto às pessoas, é possível melhorar a auto estima e assim não ter necessidade de aprovação dos outros.

Dizer sim a todos, recusar-se a competir, ceder a favor dos outros, ter compulsão para servir e agradar abrindo mão de suas próprias necessidades, pode provocar intimamente uma grande revolta pela invasão dos outros em sua vida, que você passivamente permite cultivando secretamente uma raiva, e daí se sentir culpa e inadequação por não corresponder à concepção de bondade que lhe foi transmitida. 

Esse tipo de pessoa prestativa e disponível é ótima para dividir ou se encarregar do fardo dos outros, mas são péssimas para si mesmas quando não conseguem colocar um limite para os outros, fazendo de tudo e até mais do que sua própria capacidade com receio de que os outros possam acusá-la ou menosprezá-la.

Às vezes algumas pessoas se sentem em demérito quando mentem ou fazem algo do que se arrepende, e então se punem com a servidão para expiar sua culpa ou remorso. É um grande engano. É normal sentir decepção pelos fracassos, mas é uma oportunidade para amadurecer e aprender a lição com a experiência mal sucedida, porque perfeito, ninguém nunca será e a bondade está longe de conter a excelência.

Só se possui a bondade quando se utiliza o melhor de si, sem necessidade de concordar a todo tempo. Muitas vezes a pessoa atropela a si mesma na esperança de ser qualificada como boazinha; diz sim quando gostaria de dizer não, ou seja, vai no caminho contrário da bondade sendo falso consigo e com os outros.

Nenhum sentimento é contrário à bondade quando você age em prol de si mesmo, pois faz parte do equilibrio que mantém sua vida. Isto se chama amor próprio, auto estima. Bondade não é subserviência, é sensibilidade, é ternura e existe dentro de si para que dela faça bom uso, sem se penitenciar e se maltratar para poder atender os desejos dos outros ultrapassando os limites do seu próprio bem estar. 

E existe ainda a bondade maldosa, aquela que camufla a intenção egoísta para tentar se livrar de suas próprias culpas, fazendo algo mais por si mesmo do que pelo outro. A pretensa bondade muitas vezes se esconde na busca de reconhecimento, de admiração, de amor, respeito e aplausos. Assim pode entrar numa competição e se atrair mais pela posição de destaque do que pela própria bondade e humildade que quer transparecer. E nesta ostentação disfarçada, pode até fazer a coisa certa porém por uma razão duvidosa que, ao invés de trazer um bem estar, pode levar a um vazio interior.

É muito bom se sentir importante. É ótimo obter reconhecimento e aplausos. É magnifico estar no palco, mas a bondade não necessita de holofotes; a bondade é algo que se usa de forma gratuita, no momento justo e com a pessoa certa sem outras intenções. A vida é uma questão de escolha e você pode escolher o melhor para si a todo momento. É dizendo "não" aos outros quando não estiver disponível para realizar um favor, sem sentir culpa por isso, e dizer "sim" apenas quando achar que tem possibilidades de atender sem contrariar a si mesmo.

Nunca seremos totalmente bons e justos aos olhos dos outros, e até poderemos ser considerados perversos quando adquirirmos uma nova maneira de ser deixando de concordar com tudo e com todos, não permitido ser capacho dos outros. Ninguém se orgulha o tempo todo de si mesmo, por isto é preciso ter um olhar compreensivo, ter compaixão de si para ter compaixão com os outros, não exigindo de ninguém a perfeição que muitas vezes queremos exigir de nós mesmos.

Vamos errar muitas vezes mas teremos de aprender a lidar com as nossas imperfeições, incapacidades e limites. A bondade que existe em nós não pode conviver com o desconforto de dá-la somente aos outros; ela existe para que sejamos bons para nós mesmos. A bondade não sufoca, não se envaidece, não irradia a virtude, não provoca o desejo de retribuição. A bondade, tem seus limites! ...


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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