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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Seja o mágico de sua vida


Um dia, entendemos que mais cedo ou mais tarde temos de enfrentar os fantasmas guardados no armário. Dentro dessa realidade relembrei que Feliz Aniversário não pode ser apenas um slogan, mas sim um plano. Não apenas algo repetido automaticamente, mas algo a ser construído.
 
A vida é para ser aproveitada agora e, enquanto cuidamos do cotidiano, cabe-nos semear uma vida mais confortável para o futuro. A vida segue e o show da própria vida não pode parar. Show é produzir, trabalhar e criar, mesmo diante de obstáculos e dificuldades. Nesse sentido, me indaguei: como superar as pressões do cotidiano e aproveitar as alegrias da vida?

O Mágico de Oz: Sheila Walsh, em seu livro “Não sou a mulher maravilha mas Deus me fez maravilhosa”, o sexto capítulo trata de máscaras onde o Mágico de Oz é abordado. Para quem não se lembra, um tornado levantou a casa com Dorothy e Totó dentro e a girou no ar. Quando a casa finalmente bateu no chão, Dorothy abriu a porta, saiu e chegou ao multicolorido e visualmente espetacular País dos Munchkins.
 
Dorothy quer voltar ao Kansas e vai procurar o Mágico de Oz. Nessa aventura, faz amizade com o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Segundo a autora, o aspecto mais espetacular da obra é a amizade entre a menina e os tais personagens. Em suas palavras, através do compromisso deles para ajudar Dorothy a voltar ao Kansas, todos acabam mudando.
 
Eles imaginam que, se conseguirem chegar à Cidade Esmeralda e encontrar o Grande Oz, então ele vai poder dar o que precisam. Em vez disso é a viagem que os modifica.  O Espantalho descobre que tem um cérebro quando o usa para ajudar seus amigos. O Homem de Lata descobre que é todo coração. O velho Leão Covarde acha sua coragem. Cada um dos quatro personagens que viajam juntos pela Estrada das Pedras Amarelas é honesto e vulnerável um com o outro. Eles não escondem o que falta em sua vida. É a viagem que os modifica...  

Mente milionária: Ao ler o interessante "O segredo da Mente Milionária", achei perfeito o autor dizer que o mais admirável na pessoa milionária não é sua fortuna, mas o processo pessoal de evolução que torna a fortuna possível. Vencer na vida, curiosamente exige um processo de amadurecimento extraordinário, que se torna um desafio tão duro e tão recompensador quanto uma maratona para o corredor ou o primeiro milhão para um empreendedor.
 
Em todos os casos estamos diante de um processo de amadurecimento, lento, progressivo, trabalhoso, mas que é muito mais rápido, agradável e reconfortante do que permanecer sem a pretendida vitória e progresso pessoal.  Voltando ao Mágico de Oz, chegar à cidade Esmeralda era desafiante mas eles precisavam chegar até o Mágico.
 
 
 
 
O sucesso está em nós mesmos: Em sua realidade, a cidade Esmeralda pode ser o emprego que você espera, o concurso, o vestibular, a corrida, a empresa, a conquista da pessoa amada ou qualquer outra coisa que você vem tentando conquistar.  É aí que Dorothy e seus amigos tem muito a ensinar.
 
Dorothy pensava que o Mágico de Oz teria respostas e soluções, um tolo engano. Ao chegar lá eles descobrem que o Mágico era apenas um engodo. Ele não era intrinsecamente mal, mas revela que é um péssimo mágico. Ele não tinha as respostas, mas apesar de ser  uma lenda urbana, uma ilusão de ótica, todos conseguiram realizar seus desejos. Como?
 
Ao vencerem os desafios do caminho para chegarem à cidade Esmeralda, Dorothy e seus amigos foram vencendo suas próprias dificuldades pessoais. Ou seja, a resposta não estava no Mágico, mas neles mesmos. Assim como a resposta nunca esteve nem no País de Oz, ela nunca está fora de nós mesmos. O sucesso e a felicidade estão depositados na estrada e dentro de nós. 

Muitos esperam que o emprego, o diploma na faculdade, o primeiro milhão, a linha de chegada, um parceiro, um romance ou um casamento possa proporcionar o encontro com um mágico que solucionará tudo. Não é verdade. Não existe esse tipo de mágica. A mágica é a caminhada em si e não o que está nela.
 
Uma boa mágica: A capacidade de caminhar é que faz alguém resolver seus problemas ou ao menos administrá-los. Esse é o maior legado que o caminhante tem para continuar na estrada, mesmo depois de encontrar algum objetivo que tenha escolhido.  Quem acha que será feliz ao conseguir seu objetivo ou que terá todos os seus problemas resolvidos através de algo ou alguém, está procurando o Mágico.
 
Se alguém acha que ganhar dinheiro e ter bens materiais vai trazer paz e alegria, está apenas procurando o Mágico. Se alguém acha que um corpo perfeito garante o amor ou a alegria, está igualmente caçando o Mágico. O máximo que pode acontecer é que na caminhada aprenda que a mágica é a peregrinação. Como disse João Guimarães Rosa: "Vivendo se aprende; mas o que mais se aprende é só a fazer outras perguntas maiores".
 
Como fazer essa peregrinação? Bem, aprendamos com Dorothy e seus amigos. O primeiro passo do grupo de amigos foi deixar cair as máscaras. Dorothy confessou seu simples anseio por voltar para casa. O Leão revelou sua covardia. O Espantalho falou de sua limitação intelectual e o Homem de Lata contou sobre como se sentia pela  falta de um coração. Eles não permaneceram lamentando seu estado, mas começaram a caminhar.




Tirando as máscaras: Creio que para progredirmos em direção aos nossos sonhos, temos de reconhecer as nossas limitações. Tirar a armadura orgulhosa, a roupa de festa, arregaçar nossas mangas e mergulharmos no rio barrento do trabalho diário. Não acho que a superação pessoal seja um rio de águas cristalinas; é um rio onde você tem de pisar no fundo e fazer movimento.
 
O grande Mágico de Oz usava uma máscara. À primeira vista, a imagem do mágico projetada na tela diante de Dorothy é impressionante e irresistível, mas quando Totó puxa a cortina ela vê que ele é apenas um velho falando em um microfone. Não sejamos como ele; não nos escondamos atrás de uma cortina e de um bom facho de luz reversa. 
 
Você até pode imitar o mágico, entendendo que a falta de uma habilidade específica não te torna uma pessoa ruim. Mas não deve ser como Dorothy e seus amigos, pretendendo que outra pessoa venha a fazer uma mágica em sua vida trazendo todas as soluções para os seus problemas. E não culpe os outros por não ter soluções, o problema está em você.
 
Mágica ruim: Existem outros mágicos inábeis  que apresentam mil indicações ou conselhos. Ajudam, mas não resolvem o problema. Na gestão financeira  falsos mágicos nos mandam ir em busca do enriquecimento rápido,  de forma desonesta, o negócio "da China" que acaba em prejuízos. Outra mágica ruim é a fraude, que  se apresenta como uma solução fácil mas tem um custo x benefício que não compensa.
 
No mundo existe muita mágica ruim. Engodos. Feitiços que se voltam contra o feiticeiro. Falso mágico é o empréstimo tomado para conseguir cumprir o orçamento mensal, o cheque especial, o rotativo do cartão de crédito, um monte de cartões de lojas e as prestações pequeninas dos financiamentos longos e com juros altos etc.
 
Falsos mágicos são os anabolizantes e os comprimidos que oferecem felicidade instantânea e imediata, mas de pouca duração. No cuidado com o corpo, o risco é a busca de regimes miraculosos, os remédios perigosos para emagrecer ou para curar depressão e que não atinge as suas reais causas.
 
Na vida pessoal,  falsa mágica é querer ter amor dos outros sem ter boa autoestima ou querer ser amado pelo que você não é. Aqui vale citar um conceito alternativo de status: "comprar o que não precisa, com um dinheiro que não tem, para parecer quem realmente não é para agradar a quem não gosta de você é a mais tola das ilusões".
 



Boas lições de Oz:
Tirando as boas e más lições do mágico,  os amigos de Dorothy também nos reservam boas lições. O Leão pensava ser covarde, mas se assim fosse jamais teria chegado até a cidade Esmeralda. É preciso coragem para começar, para continuar ou para voltar depois de uma impensada desistência. Tem que ter muita coragem para assumir que não acredita em si mesmo e fazer algo para melhorar isso. Também é preciso coragem para abrir mão do lazer ou do descanso para ir para a faculdade, estudar depois de um dia de trabalho ou desistir de uma balada para ler um livro.

Também é preciso ter cérebro, exatamente o que faltava ao Espantalho. Sem se intimidar com sua falta de cérebro, ia caminhando, fazendo o que tinha de fazer, pensando, desconfiando de si mesmo exatamente por reconhecer que tinha muito para aprender. É preciso reconhecer que precisa estudar e se organizar. Para isso é preciso ser esperto, buscando todos os recursos: a internet, os livros, apostilas, professores e dicas de colegas mais experientes. Foi assim que surgiu um cérebro dentro do simpático Espantalho.
 

O Homem de Lata nos ensina que é preciso um coração. Ter coração é ter motivação, a capacidade de continuar caminhando com coragem e inteligência, mesmo quando ainda se está longe dos objetivos, mesmo diante dos revezes e mesmo diante das dúvidas que vez ou outra nos assaltam. O coração é o dínamo que catalisa e equilibra a coragem e a inteligência.

Talvez o que Dorothy possa ensinar é que chegar à cidade Esmeralda na verdade significa voltar para casa. É ter um porto seguro para continuar a grande jornada da vida. É ter o dinheiro suficiente para pagar as contas e alimentar os filhos, mas principalmente conquistar uma boa autoestima, servir de  exemplo e doar aos que nos são íntimos.
 
Enquanto caminhamos é preciso aprender a curtir a família e os amigos. Talvez o Totó, o cãozinho da família, seja esse alerta para que não esperemos a conquista para ter comunhão com quem nos é próximo. E assim como Dorothy, que possamos encontrar nos amigos um espaço onde possamos nos auxiliar mutuamente para enfrentar os obstáculos e sobressaltos do caminho.
 
 
 
 
 
Você é o mágico de sua vida: Desejo que você faça uma bem-sucedida caminhada em direção à sua cidade Esmeralda. Não procure lá o mágico; você é o mágico de sua vida.  Que você amadureça enquanto caminha. Assim como o Espantalho, que você encontre a inteligência. Como o Leão, que você não tenha medos e que enfrente a vida com coragem. Tal como o Homem de lata, que em você haja um coração irrigado pela alegria e motivação.
 
E nunca esqueça das bruxas: você mata a do Oeste e aparece a do Leste. Elas são o medo e a preguiça que nos perseguem. São os amigos que só querem saber de baladas e  nos causam distração. O livro de Provérbios, diz: "Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.  Ande com sábios e serás sábio".
 
Uma dica mágica: lembre-se que lá no céu há um mágico dos bons. Enquanto caminha, confie que ele pode ajudar a chegar onde você deseja. Esse texto também teve a intenção de ajudar. E, se não consegui fazer você chegar mais perto da sua Cidade Esmeralda, peço que me desculpe. Não é que não tenha bondade, apenas não terei ainda conseguido fazer uma boa mágica. Mas continuarei tentando...

Um comentário:

Marilza Monteiro Pereira disse...

Adorei conhecer teu blog Lucia. Como aprendi e ainda aprenderei. Estava procurando outra coisa da Net porém encontrei o que justamente precisa. Obrigada por dividir seu conhecimento. Bjs.

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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