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sexta-feira, 1 de março de 2013

Como perdoar e obter o perdão



Em nossa cultura cristã somos constantemente pressionados a perdoar. Perdão é um dos temas de reflexão filosófica mais antigos do mundo. Conhecê-lo é importante para a formação cultural e, com certeza, segundo os psiquiatras Freud ou Jung, um ponto de partida para a compreensão de parte da psique humana.

São inúmeras as mensagens que surgem através dos jornais, revistas, artigos na internet e no senso comum a nos estimular a tal atitude. Mesmo supondo que devemos perdoar, que de algum modo é benéfico, a grande questão é: como perdoar se nos sentimos feridos? O que fazer para que consigamos perdoar?

Não basta que nos digam que perdoar será bom para nós mesmos, que quem perdoa se torna mais feliz, que não devemos ficar engolindo veneno etc. Forçar-se a perdoar é inútil, pois só aumenta o sofrimento pela violência contra os próprios sentimentos. Se não for verdadeiro, um perdão completo, não vale a pena porque ficarão muitas coisas a serem resolvidas. Perdão é algo impossível de ordenar ao coração; para perdoar precisamos de algo que venha a compensar a nossa dor.  

Uma das formas mais rápidas e eficazes para se perdoar é a vingança. Alguém que se vinga, logo se torna capaz de perdoar. Dizem que a vingança é um prato frio que se come lentamente, ou seja, você se vinga, tira o peso do ódio e talvez perdoe, mas no final restam apenas os mortos, ruínas e cinzas. Esse é o desfecho. Contudo, mesmo que a vingança traga a compensação capaz de gerar o perdão, pode gerar a culpa que é uma forma destrutiva e beligerante para apaziguar o ódio que se sente por quem nos fez algum mal, mas que traz um mal maior ainda. A culpa dói muito mais.

Existe também outra forma pacífica de compensação, basta perceber que o outro se sinta culpado, que reconheça seu erro e venha a pedir perdão. A compensação surge ao perceber que o outro também sofre, que se sente culpado e precisa do perdão para aliviar seu sentimento de culpa. Na verdade também é uma forma velada de vingança, pois a culpa destrói o amor próprio, cria repulsa e faz com que o outro sinta ódio de si mesmo. Quem não sente a culpa, quem não não se odeia por um erro cometido, não merece perdão. Quem não reconhece que errou e não tenta reparar o erro cometido compensando a quem prejudicou, não merece perdão.

Mas somos capazes de perdoar sob algumas condições específicas, ainda que quem nos prejudicou não mereça perdão. Perdoamos quando consideramos que são coisas irrelevantes ou quando o tempo nos faz esquecer da ofensa. Ou perdoamos quando percebemos que nosso algoz está sofrendo pelo mal que nos fez ou quando o outro nos repõe exatamente o que nos tirou. Se não houver uma dessas condições, não há o perdão verdadeiro.

O verdadeiro perdão só existe quando há reconciliação, ou seja, quando se restabelece as mesmas condições anteriores sem nenhum ressentimento, isso significa esquecer completamente a ofensa sofrida. E mesmo que você diga que esqueceu e que não pensa mais na ofensa, no fundo do coração haverá sempre o desejo de que Deus, algo ou alguém venha a cobrar a injustiça a que você foi submetido. Você só perdoa quando há uma reparação, quando há uma resposta efetiva e sirva como uma compensação ou quando há a esperança de que um dia ela aconteça... 


2 comentários:

* Edméia * disse...


*Olha, Lúcia, essa questão do

PERDÃO é algo MUITO DIFÍCIL para

mim !!! O.o

Estou tentando aprender a

perdoar

por uma questão de SAÚDE da minha

própria pessoa !!! Não quero ter

um câncer por causa de questões

mal resolvidas dentro de mim !!!

*Não mereço isto !!! Mas, confesso

que ... se perdoar é ESQUECER ...

isso realmente será MUITO MAIS

difícil para mim !!! *Tenho uma

memória ÓTIMA !!! :))

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Olá amiga Edmeia: Não perca tempo guardando mágoas, aprenda com elas e descarte-as. Quem te magoa não merece viver em seu coração. Busque viver bons sentimentos, use seu coração para amar outras pessoas, os animais, as flores, a sua vida e o mundo. Assim estará sempre em paz. Bola pra frente!

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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